 No local
onde funcionam as oficinas da CET, na Vila Mathias, existia o Quilombo
do Pai Felipe. As ruínas permanecem lá até hoje Foto: Raimundo
Rosa, publicada com a matéria
História
também fala dos quilombos de Santos
Santos
também teve sua história de quilombos, de escravos fugidos
e entocados. São citados pela História o Quilombo
de Pai Felipe, do Garrafão e outros dois sem denominações
conhecidas no Vale do Quilombo, região
continental da Cidade.
Nenhum deles
teve as características marcantes do Quilombo dos Palmares, formado
na Serra da Barriga, região Norte de Alagoas.
O Quilombo
do Jabaquara foi um dos maiores do Brasil e recebeu até 10 mil
negros fugidos de fazendas do interior do Estado. Fundado por iniciativa
do abolicionista Xavier Pinheiro, em 1882, ficou instalado em terras
de Quintino de Lacerda, um negro alforriado. Ocupava
um espaço extenso perto do Morro do Bufo,
logo após a saída do túnel
Rubens Ferreira Martins.
Era formado
por uma série de casas unidas umas às outras e precedidas
por um armazém, que abastecia os negros de alimentos e outros produtos.
A Cidade teve ainda o Quilombo do Pai Felipe, que ocupava a área
onde hoje funcionam as oficinas da CET (N.E.:
Companhia de Engenharia de Tráfego),
na Vila Mathias. (N.E.:
Pai Felipe liderava um bando de escravos fugidos do Engenho Nossa Senhora
das Neves, situado em terras continentais. Inicialmente, fixou-se no Jabaquara
com seus comandados. Como não quis se submeter a Quintino de Lacerda,
estabeleceu-se no sopé do Monte Serrate).
O Quilombo
do Garrafão recebeu esse nome em homenagem a José Theodoro
Santos Pereira, o Santos Garrafão, que ajudou a manter o
do Jabaquara e vivia maritalmente com uma ex-escrava
(N.E.:
Brandina), dona de uma pensão na Rua
Setentrional (ao lado do atual prédio da Alfândega).
O Vale do Quilombo
foi ocupado por negros que se agrupavam em vários locais, independentes
uns dos outros, desde a metade do Século 19. As ruínas do
Engenho
do Quilombo, tombadas em 1974, foram ocupadas por quilombolas.
Antecipado
- Segundo a historiadora Wilma Terezinha, Santos se destacou no cenário
abolicionista nacional porque dois anos antes da Lei Áurea, assinada
pela princesa Isabel em 1888, já não se servia de escravos.
"Os quilombos
que existiam aqui serviam para abrigar escravos fugidos de fazendas do
Interior. A própria sociedade apoiava o movimento abolicionista
e dava cobertura aos foragidos. Havia um pacto de silêncio para proteger
os escravos".
Wilma Terezinha
conta que, quando a notícia da abolição chegou à
Cidade, todos festejaram, de artistas a estudantes, de donas-de-casa a
trabalhadores: "Eles festejaram durante oito dias seguidos". |