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HISTÓRIAS E LENDAS DE SANTOS - CADEIAS
Antigas instalações carcerárias (3)

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No seu primeiro número, em 1º de julho de 1967, o antigo jornal Cidade de Santos registrou assim as condições carcerárias na Baixada Santista:
 


A colônia da praia das Vacas, fora da cidade, poderá ser o novo presídio
Fotos desta página: publicadas com a matéria

Já não há mais lugar para detentos

Efetuar detenções está-se tornando um problema para a Polícia da Baixada Santista. Não há para onde levar os presos. A Cadeia Pública de Santos foi construída para receber 250 detentos. Hoje recolhe 400 e poderá provocar um colapso em todo o sistema penitenciário da Baixada. Ali estão encarcerados, indistintamente, detidos para averiguações e condenados a penas de reclusão e detenção, o que dificulta o trabalho das autoridades policiais e judiciárias.

Para o delegado Ari José Bauer, titular da 7ª Divisão Policial, "é de extrema necessidade a criação de uma penitenciária para os presos da Baixada. Com tal medida, poderíamos transferir os 400 presidiários que superlotam a Cadeia de Santos para um local melhor situado, fora do perímetro urbano".

Colônia pode servir - Lembrou de uma colônia de férias de menores, de propriedade do Estado, na Praia das Vacas, em São Vicente. "Com algumas adaptações, poderia funcionar como penitenciária. Ali os sentenciados poderiam trabalhar ao ar livre, em contato com a natureza, num regime consentâneo com a época: reeducando-se pelo trabalho".

Mas a preocupação não é só do titular da 7ª Divisão Policial. Também o diretor da Cadeia, ten. Alberto Bastos, fala sobre os dois maiores problemas: a falta de verba orçamentária e a superlotação. Todos os demais são conseqüência desses. O material necessário à manutenção da Cadeia tem de ser requisitado à Secretaria da Segurança, e isso dificulta o atendimento imediato. E também ele acha que a cidade está precisando, há muito tempo, de uma penitenciária, afastada do centro, que possa comportar os presos condignamente. Santos recebe condenados de quase todas as cidades tuteladas pela 7ª Divisão Policial.

Instalações - A Cadeia está instalada no 4º e 5º andares do prédio do Palácio da Polícia. Ali os 400 detentos: 390 homens e 20 mulheres (N.E.: SIC), ocupam 42 celas. Nas pequenas, com capacidade para 2 pessoas, há 7. As médias têm sua lotação dobrada de 6 para 12; e as grandes recolhem de 20 a 22 presos ao invés de 10. No 4º andar estão ainda a diretoria, secretaria, tesouraria, locutório, sala de trabalho e uma cela com portas abertas, para os presos de melhor comportamento: a "sala livre". No quinto andar, além da carceragem feminina, há o almoxarifado, a cozinha, o serviço médico-dentário e a sala de enfermagem.

O número de camas das celas nem sempre corresponde ao de pessoas, e a falta de colchões, cobertores e sabão é por todos reclamada. Só há um vaso sanitário e um único chuveiro em cada cela. Ali elas lavam suas roupas e as estendem.

Os presos passam quase o dia todo deitados. E muitos deles sentem vontade de trabalhar. É o caso de Jacinto, que é pintor. Mas para Moacir o problema não é esse. Ele está condenado há 12 anos e trabalha na secretaria. Diz que a maior falha do sistema de correção penal, pelo cárcere, é a separação da família, que quase sempre acaba em dissolução.

Mesmo com todas essas objeções e deficiências, os presos não se rebelam. A disciplina é boa, e as seis solitárias estão vazias.

Saúde e alimentação - A assistência médica é rigorosamente observada. Todos os presos são vacinados contra tifo, varíola e tétano. Dr. Rizzi, o médico do presídio, atende a todos os doentes. Os casos mais graves ele encaminha à Santa Casa. Diariamente, os detentos são levados para o pátio onde tomam sol e praticam algum esporte.

Três refeições são servidas por dia: o café da manhã (café preto, com pão), o almoço e o jantar (arroz, feijão, picadinho e banana). A comida já vem pronta do 6º Batalhão de Polícia.

Há também um curso de alfabetização. Elementos do Sesi ministram cinco vezes por semana as aulas e exibem, periodicamente, filmes educativos. Padres, ministros protestantes e espíritas levam o conforto espiritual a todos.

Os ídolos - Mesmo atrás das grades eles têm seus ídolos: Roberto Carlos, Vanderlei Cardoso, Chico Buarque, Elis Regina e Jaqueline formam o elenco que agora só pode ser admirado pelas fotos espalhadas pelas paredes da cela.
Mesmo entre os presos há um que também já foi ídolo. Um ídolo da garotada. Valdemar da Costa, o palhaço condenado a 25 anos de reclusão. Num canto da sala de trabalho, hoje ele pinta quadros de flores e circo. Fez um navio em miniatura e deu-lhe seu nome de picadeiro: "Canudo".

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