HISTÓRIAS E LENDAS DE SANTOS - CINEMA
O cinema em Santos (1)


A primeira referência a
cinema em Santos data de junho de 1897, quando a firma Fernando & Queiroz fez durante algumas semanas
exibição pública de "fotografia animada" no Recreio Miramar da praia da Barra (Boqueirão). Seria o
Omninatographo meses antes apresentado numa loja (Salão de Paris) da Rua do Ouvidor, na antiga Capital Federal, o Rio de
Janeiro?A pergunta foi feita pelo jornalista Olao Rodrigues, em seu
Almanaque de Santos - 1972 (edição do autor, Santos/SP), que continuou o relato:
| Conta o memorialista Álvaro Augusto Lopes que, em
1905, Francisco Serrador instalou cinema na praça de touros que existiu na rua Amador Bueno (onde estão
hoje os armazéns da Cagesp). No centro da arena ficava "enorme pano (tela) suspenso de um quadrado"
A aceitação do novo divertimento foi rápida, pois nesse mesmo ano
passaram a funcionar dois cinemas na Rua 15 de Novembro - a nossa Rua do Ouvidor: o Bijou Theatre do bigodudo Bittencourt,
no qual cabiam apenas 100 pessoas, e, próximo à Praça Barão do Rio Branco, o Cine Moderno, "que reunia assistência
adequada ao nome".
O foto-amador Hernando A. D'Almeida possuiu o primeiro filmador da
Baixada Santista. Era da marca Debrue (acompanhado de aparelho de revelar o filme) e fez sucesso em 1913...

Cinema em casa: Paiva & Cia. alugava em 1939 projetores e filmes
Imagem: reprodução do jornal santista
A Tribuna, edição de 15 de novembro de 1939
(exemplar no acervo do historiador Waldir Rueda)
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Vale recordar que a citada praça de touros (Redondeu de Touros) foi
inaugurada em 12 de abril de 1907, ao lado do cine-teatro Coliseu, então um imóvel de propriedade de Antônio Francisco Fontes de
Faria:

Praça José Bonifácio, na confluência das ruas Braz Cubas e Amador
Bueno
Imagem: bico-de-pena do artista Ribs
Dois anos depois, em 1909, surgia o Cine Moderno na Rua XV de
Novembro, que se tornaria o novo pólo de entretenimento da cidade. O cinema exibia filmes italianos (das produtoras Ambrosio di
Turin e Cine di Roma), franceses (da Eclair e da Pathé Freré, ambas da capital Paris), dinamarqueses (da Nordisk) e estadunidenses
(das empresas Vitagraph, Biograph e Selig). Esses filmes mudos, sempre em duas partes, eram acompanhados por uma pequena orquestra.
Com o sucesso desse cynematographo, surgiram depois na mesma rua os cinemas Bijou e Pathé (primeiro a exibir filmes
adultos em Santos).
Em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial, desapareceram os
filmes europeus, arrastando consigo grandes artistas do Velho Continente, como Pina Minichelli, Francesca Bertini, Adriana
Costamagna e Lida Boreli. Mas em Santos continuavam sendo instalados novos cinemas, que pela falta de filmes europeus começaram a
exibir os estadunidenses. O negócio cinematográfico começou a ser explorado em bases mais profissionais, com fortes investimentos
dos distribuidores dos EUA, que cobram dos proprietários dos cinemas a ampliação dos tamanhos das salas de exibição e das áreas para
orquestra, além da instalação de poltronas estofadas fixas. Surgem os contratos de exclusividade de exibição e começa a ser
racionalizada a propaganda dos filmes.
Com o fim da guerra, em 1918, vários cinemas foram inaugurados: o
Polytheama Rio Branco (no Largo do Rosário), o Cine Central (na Rua Amador Bueno, que anos mais tarde receberia também os cinemas
Parisiense e Selecto), o Theatro Carlos Gomes (pertencente a Marcolino de Andrade, no início da Avenida Ana Costa). No mesmo ano, o
Theatro Guarany foi reformado e adaptado como cinema, tornando-se então o principal de Santos, devido ao seu conforto e luxo.
O primeiro filme falado exibido em Santos surgiu em 1926. Esses
filmes inicialmente não agradavam, pois as falas eram em inglês, com legendas em português, enquanto os filmes mudos tinham legendas
em português, e o sistema de som era sofrível, quando comparado com as orquestras ao vivo. Além disso, ocorreram os protestos dos
músicos, que viam seus empregos em perigo.
Por volta de 1930, Santos já era a cidade brasileira com o maior
número de salas por habitante, o que chamou a atenção de investidores como Antonio de Campos Júnior, ex-procurador da Associação dos
Exibidores de São Paulo. Com a exibição do filme Cântico dos Cânticos, dos Estudios Paramount, ele inaugurou na Avenida Ana
Costa, em 15 de março de 1934, o Cine Roxy, que tinha completa infra-estrutura nos mesmos moldes das
grandes salas dos EUA, até mesmo ar condicionado. No ano seguinte, surgiam mais dois: o Cine Astor, em 24 de setembro de 1935, com o
filme Broadway Bill, da Columbia Pictures, e o Cine Paratodos, em 11 de novembro de 1935, no bairro Vila Mathias, então
apresentando o filme Ahi Vem a Marinha, da Warner, destinado ao público de classe média.
Nessa época, José B. de Andrade funda a Companhia Santista de Cinemas,
reunindo os cinemas Theatro Parque Balneário (depois chamado Cine Cassino, e que funcionava em prédio anexo ao do Hotel Atlântico,
defronte ao hotel Parque Balneário), Parisiense, Carlos Gomes e São Bento. Em seguida, a empresa construiu no Boqueirão o Cine
Miramar e reformou os cinemas Carlos Gomes (na Rua Lucas Fortunato) e São José (na Rua Campos Mello).
Relacionando os antigos cinemas santistas, o falecido jornalista Olao
Rodrigues registrou, em sua Cartilha da História de Santos (1980, Gráfica Prodesan, Santos/SP):
| Velhos cinemas - No passado, a Cinelândia era na Rua
Direita-Santo Antônio, apresentando os seguintes estabelecimentos cinematográficos: Bijou, Pathé, Moderno, Excelsior, Iris e
Salão Smart. Noutros pontos e em épocas diferentes existiam os seguintes cinemas: Parque Balneário Cassino (ao ar livre);
Belezinha do Gonzaga (ao ar livre); Miramar (ao ar livre); Cine Predial, Cine Tupi, Ele Salon, Clube XV, Cine Central,
Parisiense, Politeama Rio Branco, Paramount, Cine Monte Serrate, Santo Antônio e muitos outros de menos e mais idades. |
Em meados do século XX, em diversos bairros santistas eram constantes
as exibições de filmes ao ar livre, como relataram antigos moradores desses bairros na série de matérias
Conheça o Seu Bairro, publicada em 1982/3 no jornal santista A Tribuna.
Conforme relata o Guia Santista 1956, funcionavam então em
Santos os seguintes cinemas:
Cine
Astor - Rua 7 de Setembro, 64
Cine
Atlântico - Praça da Independência, 1
Cine
Avenida - Av. Bernardino de Campos, 151
Cine
Bandeirantes - Rua Lucas Fortunato, 89
Cine
Caiçara - Av. Conselheiro Nébias, 849
Cine
Campo Grande - Rua Carvalho de Mendonça, 395
Cine
Carlos Gomes - Av. Ana Costa, 55
Cine
Dom Pedro II - Rua Campos Melo, 215
Cine
Gonzaga - Av. Ana Costa, 544
Cine
Guarany - Praça dos Andradas, 100
Cine
Iporanga - Av. Ana Costa, 469
Cine
Macuco - Av. Pedro Lessa, 196
Cine
Paramount - Rua Visconde de São Leopoldo, 1
Cine
Roxi - Av. Ana Costa, 443
Cine
Santo Antônio - Av. Pedro Lessa, 63
Cine
São José - Rua Campos Melo, 179
Cine
Teatro Coliseu Santista - Rua Amador Bueno, 237

Cine Atlântico, na Praça da Independência, no Gonzaga, por volta de
1955
Foto: José Dias Herrera/arquivo particular
Na década seguinte, surgiriam novos cinemas de bairro: Ouro Verde,
Marapé, Itajubá, Cacique e Brasília, este último com uma grande tela tipo cinerama, adequada à apresentação de grandes
produções cinematográficas, como A Bíblia.
Já nos anos 1970/80 começou o processo de
esvaziamento dos cinemas, com a chegada da televisão em cores e a falta de bons filmes. Muitas salas foram fechadas ou
subdivididas, atendendo à nova tendência do mercado, que requeria salas pequenas, com no máximo 200 poltronas. O Cine Indaiá, por
exemplo, foi dividido em duas salas, uma delas ocupando o local onde antes funcionava um bar para fumantes (onde eles podiam também
acompanhar os filmes exibidos, pela parede envidraçada).
Os cinemas começaram a se mudar para o interior dos centros
comerciais, e no final do século XX a rede estadunidense Cinemark começou a impor seu sistema de salas pequenas e acarpetadas, com
padrões para a disposição interna dos ambientes, as cores, a decoração e até para a pipoca e o refrigerante a serem consumidos pelos
espectadores.
Na obra História de Santos/Poliantéia Santista (vol. III, 1996,
Ed. Caudex Ltda./São Vicente-SP), Francisco Martins dos Santos e Fernando Martins Lichti relatam, no capítulo "Cinemas de Santos":
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Polytheama Rio Branco, no então Largo do Rosário, depois Praça Rui
Barbosa
Foto: reprodução de cartão postal da época, imagem no acervo do historiador Waldir Rueda
Por volta de 1909, existiam, em Santos, alguns cinemas instalados
na Rua XV de Novembro, local onde se reuniam a juventude e a sociedade da época. Estes cinemas eram o Cine Moderno, chefiado
pelo sr. Pinfildi, instalado onde depois funcionou a garagem XV de Novembro; o Bijou Cinema e o Cinema Pathé (que exibia filmes
impróprios importados da França).
Em 1914, exibiam-se, quase que exclusivamente, filmes europeus,
mas a eclosão da 1ª Grande Guerra Mundial, estes começaram a escassear, deixando, então, o mercado livre para os filmes
americanos. As empresas norte-americanas, através de uma propaganda racionalizada dos seus filmes, conquistaram a preferência do
público, não apenas santista, como brasileiro em geral.
Os cinemas santistas, na época, já eram mais confortáveis,
inclusive com cadeiras próprias (pois anteriormente os espectadores tinham de levar suas cadeiras de casa), com projeção dos
filmes realizada pelo antigo sistema de transparência e acompanhando as exibições ao som de boas orquestras, uma vez que os
filmes ainda eram mudos.
Por essa época, o comendador Manoel Fins Freixo, associado a Mauro
Russo, fundava uma empresa para a exploração de filmes. Esta empresa, pouco depois, ficou a cargo, unicamente, do comendador
Freixo, a qual se chamou M. Freixo & Cia. Ltda. Esta empresa apresentou ao público um outro cinema, de grande projeção na época,
o Polytheama Rio Branco, no antigo Largo do Rosário, hoje Praça Rui Barbosa. O comendador Freixo teve como sucessores seus
filhos Djalma Conceição de Campos Freixo e Jayme e Campos Freixo, na empresa posteriormente chamada Empresa Cine Teatral Ltda.,
ocupando especial destaque na cinematografia santista.
Depois do Polytheama Rio Branco, Santos teve o Cine Central, na
Rua Amador Bueno, e o Teatro Guarani, que já existia desde 1882, foi transformado em cinema, assim como o Teatro Carlos Gomes,
de Marcolino de Andrade, no Bairro da Vila Mathias.
Depois, foi considerado o Parisiense, que teve grande destaque na
cinematografia santista, e que no final da década de 1920 passou ao controle de Octávio Januzzi; com a adaptação de um prédio na
Rua Amador Bueno, por Marcolino de Andrade, surgiu o Cinema Seleto.
Em 1926 surge o cinema falado, e a empresa M. Freixo & Cia.
dominava o campo cinematográfico de Santos. Marcolino de Andrade havia passado o Cinema Seleto para essa empresa, ficando apenas
com o Cine Carlos Gomes.
Nesse momento já funcionava o Miramar, grande centro de recreação
construído no Boqueirão, ocupando vasta área da quadra das ruas Epitácio Pessoa, Oswaldo Cruz (onde parte da área era ocupada
pela Estação dos Bondes) e as avenidas Bartolomeu de Gusmão e Conselheiro Nébias, e em cujo centro recreativo também havia um
cinema ao ar-livre, preferido pela sociedade. O Miramar - que marcou época em Santos, até o início da década de 1930 -, do Major
Jonacópulos, ocupava uma área de 1.800 metros quadrados. Entretanto, sua grande expansão deu-se a partir de 1924, quando
adquirido pela firma V. Fernandes & Cia., que além do cinema, danças e patinação, introduziu-lhe espetáculos artísticos,
bilhares e um cassino com carteado e roleta.
Em 1924, Manuel Fins Freixo inaugura o Teatro Colyseu, depois de
tê-lo reformado e ampliado, dotando-lhe de novas linhas arquitetônicas e transformando-o na maior e mais bela casa de
espetáculos de Santos. Logo depois utilizado também como cinema, ficou sendo o principal estabelecimento do gênero da cidade.
Mas, a empresa do comendador Freixo ficou abalada com seus
elevados investimentos e no final da década de 1920 foi arrendada, com todos os seus cinemas, para a Metro Goldwyn Mayer -
empresa norte-americana, produtora e distribuidora de filmes, que teria forçado esse arrendamento, como garantia de seu crédito
junto à empresa M. Freixo & Cia. Ltda., que não atravessava boa situação financeira. Por volta de 1933, o comendador Freixo
retomou a direção de seus cinemas e, juntamente com José B. De Andrade e Antônio Campos Jr., impulsionou esse gênero de
divertimento, organizando bons programas e ampliando a rede de cinemas.
José B. de Andrade fora secretário da Metro Goldwyn Mayer e quando
cessou o arrendamento dos cinemas de Freixo constituiu a Empresa Santista de Cinemas, no início de 1935.
No final da década de 1920, o Jockey Club de Santos, que tinha sua
sede social no Gonzaga, na Av. Presidente Wilson, esquina com a Rua Marcílio Dias, instalou em seu quintal, nos fundos, um amplo
cinema ao ar livre, que funcionava nos fins de semana, como continuou a acontecer, mesmo com a venda desse imóvel para o Clube
XV, que ali instalou sua sede, mantendo, por muitos anos, a tradição desse cinema para os seus associados.
Em 1933, Antônio Campos Júnior, recém-chegado a Santos, constrói
um moderno e grande cinema, na Av. Ana Costa, em local duvidoso para os entendidos da arte cinematográfica: era o Cine Roxy, que
surgia desafiando todos os cinemas existentes, e que se inaugurava, com grande pompa, a 15 de março de 1934. O Cine Roxy foi um
sucesso e entusiasmou A. Campos Jr. a construir outros cinemas: o Cine Paratodos - na Vila Matias - na Rua Lucas Fortunato
esquina com a Av. Ana Costa, inaugurado a 11 de janeiro de 1935; e nesse mesmo ano, a 24 de setembro, o Cine Astor, na Rua Sete
de Setembro, quase esquina da Av. Conselheiro Nébias, onde fora a sede do Clube XV.

Cine Roxy, na época da inauguração
Imagem publicada no jornal santista A
Tribuna em 26 de janeiro de 1939
A Empresa Santista de Cinemas se constitui a partir do início dos
anos 30, com o Cine Teatro Cassino, construído por Domingos Fernandes Alonso, no próprio corpo do Atlântico Hotel, de sua
propriedade, no Gonzaga, cinema esse com extraordinário requinte de modernismo - extremamente arrojado, na época, pois seu teto
era móvel e permanecia aberto nas noites estreladas de calor; com o Cine Parisiense, com o Cine Paramount, na Praça Rui Barbosa,
esquina com as ruas Vasconcelos Tavares e São Leopoldo; com o antigo Teatro Carlos Gomes, e com o Cine São Bento, no Valongo,
dando prosseguimento com a construção de outros dois cinemas: o Cine Miramar, construído no mesmo lugar do primeiro Miramar, e
que, posteriormente, veio a ser substituído, no mesmo local, pelo Cine Caiçara, e o novo Cine Carlos Gomes, também construído no
mesmo local do primitivo Teatro Carlos Gomes, na Rua Lucas Fortunato, fundado por seu pai, Marcolino de Carvalho - um dos
destacados precursores da cinematografia santista.
José B. de Andrade ainda construiu, na seqüência, nos anos 30, o
Cine São José, na Rua Campos Melo, no Macuco, e, quase junto a este, M. Freixo & Cia. construiu o Cine D. Pedro.
Nas décadas de 1940 e 50, a rede cinematográfica de Santos foi
enriquecida com excelentes salas de projeção, dotadas de todos os requisitos modernos, como ar-condicionado, som estereofônico,
telas panorâmicas, além de requintes de conforto, com poltronas estofadas de luxo, com carpetes e luxuosas salas de espera -
sendo então introduzidas as sessões corridas, com dois e três horários, durante a semana, e quatro ou mais horários aos
domingos, quando o Cine Roxy lançou a sessão "Baby", aos domingos às 10 horas, com programação especial para crianças, com
grande sucesso.
Novas salas de projeção de luxo surgiram: o Cine Atlântico, na
Praça da Independência; o Cine Praia Palace, na Av. Ana Costa; o Cine Indaiá, também na Av. Ana Costa, junto ao Hotel Indaiá, na
esquina da Rua Luiz de Farias; e, especialmente, o Cine Iporanga, também na Av. Ana Costa, quase esquina com a Rua Tolentino
Filgueiras, que pela sua beleza, conforto, modernismo e amplitude passou a ser o principal cinema de Santos, construído pela
firma Freixo Empresa Cine Teatral & Cia., com o propósito de conquistar o público classe "A", que ela perdera com a decadência
de sua principal casa, o tradicional e vetusto Colyseu Santista.
Ainda nesse período áureo da cinematografia santista, a Freixo -
Empresa Teatral Ltda. construiu o Cine Campo Grande, na Rua Dr. Carvalho de Mendonça, próximo da Av. Bernardino de Campos;
Marcelino Dias de Carvalho construiu o Teatro Independência, na década de 50, que funcionaria mais como cinema, em pleno
Gonzaga; surgiu o Cine Itajubá, em 1961, no José Menino, no local onde funcionara o Hotel Internacional; o Cine Glória, na Av.
Vicente de Carvalho, e o Cine Brasília, em 1964, na Av. Pedro Lessa, próximo ao Cine Macuco, que já existia nesse local, desde
1950, em cuja época e dos mesmos proprietários, Giusfredo Santini, Athié Jorge Coury e Elias Nejn, também surgiu o Cine Gonzaga,
na Av. Ana Costa, esquina com a Rua Othon Feliciano, parcialmente instalado nas antigas dependências do cassino Atlântico que
encerra suas atividades em 1954.
Nos bairros, novas casas de projeção foram construídas e
inauguradas. Eram raros os bairros que não dispusessem de cinema, em sua fase de ouro: 1930-1960. No Macuco, na Av. Rodrigues
Alves, bem próximo da Av. Senador Dantas, havia o Cine Popular, na Rua Dr. Carvalho de Mendonça, próximo da Av. Bernardino de
Campos, havia o Cine Ouro Verde (anteriormente Campo Grande); Avenida, na Av. Bernardino de Campos; e Cine Marapé, na Av.
Pinheiro Machado.
As três grandes empresas cinematográficas de Santos - a Freixo
Empresa Cine Teatral Ltda., a Empresa Cine Roxy Ltda. e a Empresa José B. Andrade Ltda. - disputavam o público, não apenas
sofisticando seus cinemas, mas também, construindo-os bem próximos um do outro, para que a empresa concorrente não dominasse,
sozinha, uma determinada área da cidade. "Brigavam", também, pelos grandes filmes, pelas superproduções e pelos "campeões de
bilheteria".
Em 1956, o Centro Português transformou seu Salão-Teatro no Teatro
Júlio Dantas, que em 1979 foi arrendado à Empresa Cinematográfica Haway Ltda. e à Empresa de Cinemas de Santos para funcionar
como cinema, na Rua Martim Afonso nº 137.
Na década de 70, já em plena crise cinematográfica, apenas dois
cinemas, efetivamente novos, foram lançados em Santos: o Cine Alhambra, instalado no antigo auditório da Rádio Clube de Santos,
no Gonzaga (na Rua José Cabalero, nº 60), e o Cine Fugitivo, que só programa filmes eróticos, instalado na Travessa Dona
Adelina, no final da Rua General Câmara, em plena zona portuária, e os Cines Studio-Atlântico I e II, que substituíram o Cine
Gonzaga, montados exatamente sobre a mesma sala de projeção, antigo Cassino Atlântico, depois sede social do Clube Sírio Libanês
por muitos anos.
Com a grande recessão havida na década de 1970, não apenas de
público, mas também de grandes filmes eróticos e pornográficos (de sexo explícito), as empresas cinematográficas se uniram para
programar o fechamento de seus cinemas deficitários - todos os cinemas de bairros foram eliminados e mais de 13 cinemas foram
desativados, a partir de 1970, totalizando 209 casas cinematográficas paralisadas, com as 7 que já haviam sido fechadas
anteriormente.
A crise cinematográfica decorreu, provavelmente, da grande
penetração da televisão a nível popular, as vendas a prestação colocavam os televisores ao alcance de todos, os canais de
televisão procuraram melhorar suas transmissões, com repetidores de sinais instalados no Monte Serrate, na Ilha Porchat e em
Guarujá, e dessa forma os filmes cinematográficos adentraram intensivamente em todos os lares da Baixada Santista.
À guisa de registro à memória da cinematografia santista, citamos
os nomes daqueles que, em momentos paralelos ou em fases sucessivas, foram valorosos artífices na divulgação dessa arte, que tem
muito de cultura e de recreação: André Branda, Antonio Campos Júnior, Antônio Francisco Campos, Athié Jorge Coury, Djalma de
Campos Freixo, Domingos Fernandes Alonso, Elias Nejn, Ernesto Lacerda, Giusfredo Santini, Jayme de Campos Freixo, José B. de
Andrade, José Roberto Freixo, Luiz Dias Marcelino, Major Jonacópolus, Manoel Fins Freixo, Marcolino de Andrade, Mauro Russo,
Octávio Januzzi, Pinfildi, Sérgio E. dos Santos Freixo, V. Fernandes, Paulo Paim de Santos, Luiz Fernando Tormim Freixo, Fábio
Paim de Campos, Leonardo Sarubi Branda e Yara Sarubi Branda.
1986-1996 - Nesta década, a cinematografia santista ficou
ainda mais reduzida em número de casas de projeção.
Praticamente, apenas as duas maiores empresas cinematográficas da
cidade - e as mais tradicionais - permaneceram em atividade: Freixo Empresa Cine Teatral Ltda. e Cinemas de Santos Ltda.
Os Cines Atlântico I e II encerraram suas atividades em fevereiro
de 1990. O Cine Júlio Dantas foi desativado em janeiro de 1995, pela Empresa Cinemas de Santos Ltda., que o devolveu ao Centro
Português de Santos, seu proprietário.
Os cinemas que estão em funcionamento são os seguintes:
Freixo - Empresa Cine Teatral Ltda. - Iporanga 1 - com
1.000 lugares; Iporanga 2 - com 540 lugares; Iporanga 3 - com 10 lugares, e Alhambra - com 450 lugares.
Cinemas de Santos Ltda. - Cine Roxy - com 1.400 lugares;
Cine Indaiá 1 - com 1.000 lugares e Cine Indaiá 2 - com 350 lugares.
No velho centro comercial de Santos, na Travessa Dona Adelina,
permaneceu o Cine Fugitivo, e na Rua Martim Afonso, 137, o Cine Júlio Dantas - que não pertencem às duas redes cinematográficas
tradicionais.
Os filmes de maior público nos últimos 10 anos, em Santos, foram
Parque dos Dinossauros e Cobra.

Cine Roxy
Imagem: reprodução do jornal santista
A Tribuna, edição de 15 de novembro de 1939
(exemplar no acervo do historiador Waldir Rueda)
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