Clique aqui para voltar à página inicialhttp://www.novomilenio.inf.br/santos/h0107b.htm
Última modificação em (mês/dia/ano/horário): 05/15/04 21:10:39
Clique na imagem para voltar à página principal

HISTÓRIAS E LENDAS DE SANTOS - CINEMA
O cinema em Santos (2)

Leva para a página anterior
Em 20 de novembro de 1977, o editor de Novo Milênio, então redator no jornal diário Cidade de Santos, traçava nessa publicação um panorama da cinematografia em Santos naquele momento:

Cine Brasília, na Av. Pedro Lessa, no Macuco
Foto: jornal Cidade de Santos, 20/11/1977

Cines de bairro fechados. O porquê

Sofisticação dos equipamentos, diversificação dos filmes, exibição simultânea com grandes cidades, busca de público culto e jovem, com películas semi-documentário, filmadas "in loco", cinemas menores e mais confortáveis junto a centros comerciais - esta é, segundo os diretores de empresas exibidoras santistas, a fórmula para se conseguir manter o interesse do público pelo cinema. Foi por não se encaixarem nessa filosofia que cinemas de bairro, como Marapé, Campo Grande, Ouvo Verde (antes muito procurados) foram sendo fechados.

Atualmente, Santos conta com 16 cinemas. Deles, o cine Itajubá é mantido por uma empresa exibidora vicentina. A empresa Cinemas de Santos Ltda. controla os cines Indaiá, Roxy, Caiçara, Studios Atlântico I e II, Júlio Dantas, Cinema I e Independência. Já a empresa ExiFilmes - Empresa Cine-Teatral Ltda. programa os cinemas Alhambra, Coliseu, Guarani, Iporanga e Iporanga 3 e Praia Palace. O Cine Brasília é mantido pelas duas empresas.

Conforto importante - Enquanto coloca à venda ou aluguel o prédio do ex-Cine Ouro Verde, o advogado Carlos Augusto Corte Real, da empresa ExiFilmes, anuncia a inauguração, em dezembro ou janeiro próximos, do cine Fugitivo, na Travessa Dona Adelina, local conhecido como a Boca do Lixo. Com sessões corridas desde o meio-dia, este cinema pretende manter o mesmo público do cine Guarany, mas com sofisticação maior, comparável à dos cinemas da orla da praia, incluindo espetáculos de strip-tease ao vivo.

Para Corte Real, tem-se constatado uma freqüência constante de público nos cinemas do centro da cidade, constituído por pessoas dos morros próximos, que vão aos cines Guarani, Coliseu e Júlio Dantas. "O Coliseu eu considero como um sacrifício da empresa, pois é necessário um grande capital para mantê-lo em funcionamento. A Prefeitura, diante desse monumento em termos de técnica de teatro (acho praticamente impossível se fazer outro Coliseu, devido à perfeição da acústica, por exemplo) deveria colaborar conosco, reduzindo o Imposto Sobre Serviços, ajudando assim em sua conservação. Também não temos dinheiro para fazer a restauração do Cine Guarany, que até hoje não voltou a ser pintado. Dizem que sob a atual camada de pintura existem telas de Benedito Calixto, mas nem sei onde se localizam".

"Um outro cinema que pretendemos montar é o Iporanga 2. Já apresentamos projeto à Prefeitura e pretendemos iniciar as obras no próximo ano. Será um cinema para 500 lugares, na parte superior do Iporanga I. Dessa forma, num mesmo local (Avenida Ana Costa, 469), ofereceremos três opções de filme".

Antonio Francisco Campos, da empresa Cinemas de Santos 
Foto: jornal Cidade de Santos, 20/11/1977
Dessa forma, continua a tendência de se manter cinemas para 200 lugares ou pouco mais, com todo o conforto para o público. É o caso do Iporanga 3, do Alhambra, Atlântico I e II, Cinemas I, entre outros. Dos tradicionais cinemas de bairro, em que as pessoas iam nos fins de semana ver os seriados de Tarzan, Flash Gordon, só restou o cine Brasília, no Macuco. Antonio Francisco Campos, da Cinemas de Santos, explica porquê: "Por estar situado em um bairro dos mais populosos da cidade e também por já contar, há muito tempo, com ar condicionado e outros confortos para o público. Nele o sistema de projeção é bom, com um equipamento italiano para 35/70 milímetros, bem moderno; tudo isso faz com que o cinema venha mantendo o público".

Na opinião de Campos, "a morte do cinema de bairro foi ocasionada por isso, pela falta dessas comodidades. O povo passou a exigir mais conforto, principalmente ar condicionado, numa cidade calorenta como Santos. No entanto, não compensaria equipar esses cinemas porque as construções eram antigas e teriam que ser totalmente reformadas. Um aparelho de ar condicionado hoje, para um cinema de 500 lugares, custa Cr$ 1 milhão, fora a manutenção e um gasto mensal de luz da ordem de Cr$ 20 a 30 mil cruzeiros. Assim, ou o cinema continuava subsistindo deficitariamente como era, ou se gastava uma fortuna para equipá-lo, sem retorno de capital".

Houve, segundo Campos, uma mudança nos costumes do público: antes, ia-se ao cinema de bairro por hábito. Agora, o santista começou a preferir os da praia, pois assim poderá fazer um programa completo - passear pelos centros comerciais, fazer um lanche, andar pela praia. "Os famosos seriados do cinema começaram a acabar quando a TV passou a apresentá-los também. O interesse pelas pornochanchadas sofreu também sensível redução quando a TV passou a apresentá-las. O cinema passou por uma crise de público, nessa fase de transição, porque não tínhamos bons filmes para apresentar. Agora, voltamos a ter bons filmes e o cinema voltou a ficar cheio".

"Para isso, contribui a vitória conseguida pelas empresas exibidoras da região: apresentar simultaneamente os grandes filmes com todas as principais cidades do Brasil". Campos lembra que, com isso, o problema que as empresas enfrentavam, por ter que comprar os filmes em lote, onde inúmeras películas ruins vinham como complemento de uma boa, acabou: "Passamos a negociar filme por filme, para lançamento simultâneo com as capitais. A venda de lotes de filmes hoje se restringe apenas às cidades do interior. Também o lançamento simultâneo dos filmes, como aconteceu com Dona Flor e Seus Dois Maridos, provoca maior interesse do público, pois a publicidade é conjunta (e com isso também mais barata)".

Antonio Francisco Campos explica também que agora o cinema procura atrair o público jovem, pois a maior percentagem dos freqüentadores tem idade até 35, no máximo 40 anos. O público infantil, considerado como a futura massa de espectadores de cinema, já vem sendo trabalhado, com as matinês nas quais a criança ganha um refrigerante de graça.

Os planos da empresa Cinemas de Santos compreendem a futura divisão do Cine Caiçara em dois. Dessa forma, ficariam apenas dois cinemas grandes - o Indaiá, com 1.400 lugares, e o Roxy, com 1.350 - para a exibição das superproduções Os restantes serão destinados à apresentação de filmes do circuito normal. No cine Júlio Dantas está sendo feita uma experiência para apresentação de filmes de nível um pouco melhor, como Carrie. Todos os cinemas da empresa serão equipados com lâmpadas de projeção "Xenon", já utilizadas nos cines Atlântico I e II, com as quais acabará o problema de deficiência de iluminação do filme, até agora feita com lanternas de carvão.

Filmes e equipamentos - Nos próximos meses, segundo os exibidores, muitos importantes filmes serão projetados em Santos. Além do ciclo "80 anos da História do Cinema Brasileiro", nos cines Studio Atlântico II e Cinema I (em sessões de dois filmes, a partir das 14 horas, após dia 21), a empresa Cinemas de Santos pretende apresentar Orca, a Baleia Assassina (por Dino de Laurentis), Aeroporto 77, Jesus de Nazareth, Fundo do Mar (com Robert Shaw e Catherine Bisset). No sistema Sensurround, o filme Hollercoaster. Já a Exifilmes promete, para breve, um filme no sistema Terceira Dimensão - Frankstein, num sistema Space Vision que, segundo a empresa, corrige as tradicionais falhas do 3D.

As pornochanchadas continuarão aparecendo nos cinemas, mas Antonio Campos lembra que a cinematografia brasileira está evoluindo, prevendo-se para 1978 a exibição de filmes como Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia - história de doze anos da vida de um criminoso -, além de Barra Pesada, Tenda dos Milagres, e mesmo uma realização de Osvaldo Massaini no campo da História do Brasil - Os Bandeirantes.

 

Leva para a página seguinte da série