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Na Praça Barão do Rio Branco, onde
o Royal tocava as músicas carnavalescas, o prefeito Charles A. de Souza Dantas Forbes montou um circo em 1954, substituindo os
tradicionais tablados populares, para que o povo pudesse dançar, pular, desfilar com sol ou com chuva
Foto: Poliantéia Vicentina, 1982, Ed. Caudex Ltda., S. Vicente/SP
Serviço Royal de Alto-falantes
O Serviço Royal de Alto-Falantes -
instalado no último andar do Edifício Zuffo, na Praça Barão do Rio Branco (hoje sede da Associação
Comercial, Industrial e Agrícola de São Vicente), por volta de 1937, por A. Tabagy - fazia as vezes de emissora de rádio, que
São Vicente ainda não tinha, e também um pouco mais.
Além de música e publicidade transmitida por poderosos alto-falantes,
dava avisos importantes, apresentava shows e até um famoso programa de calouros - A Hora do Pato... -, além de
cinema ao ar livre. Tabagy, o seu fundador, não permaneceu muito tempo com o serviço de alto-falantes, logo o transferindo à
propriedade de Antônio Peixoto, que o transformou na Empresa Royal de Publicidade, ampliando seu campo de atividade à corretagem
de anúncios para as emissoras santistas.
A Royal promovia, todos os anos, o Carnaval do Povo, com amplo tablado
que a prefeitura municipal instalava na Praça Barão do Rio Branco, onde promovia danças, matinês infantis e concursos de blocos
e de fantasias. Patrocinou a Campanha do Metal para o Bem do Brasil, em 1942, durante a II Guerra Mundial, recebendo todo
o tipo de metais para as famosas Pirâmides da Vitória. Quando do término da guerra, a Royal entrou no ar, pela manhã, com
toda sua força, para anunciar, com grande alarde, que a guerra terminara - dia 8 de maio de 1945 - e que os países aliados
haviam vencido o eixo nazi-fascista.
O famoso Conjunto Calunga projetou-se muito, em São Vicente, através da
Royal. Os shows aos domingos, com grande público, apresentavam Maurício e Mauricy Moura, Saraiva e seu Saxofone, Leila
Silva, Jarina Rezende, Avelino Thomaz, Buick, Joara Gonçalves, Monte Alegre, Bill Bom, Jararaca e Ratinho, Bob Nélson e muitos
outros. A Royal teve em Ary Correa Neto e Marcos L. Machado, dois dos expressivos locutores e animadores revelados.
A marcha do progresso acabou com aquela fase áurea dos serviços públicos
de alto-falantes, com os cinemas ao ar livre e com os shows semanais em praça pública e a Royal teve o seu fim, deixando
saudades e uma folha de relevantes serviços prestados ao comércio e à cidade. Nos últimos anos, Antônio Peixoto já havia
transferido à propriedade de Marcos L. Machado. Encerrou suas atividades em 1960.

O Edifício Antonio Zuffo,
construído em 1935 com frente para a Praça Barão do Rio Branco, ruas Frei Gaspar e Martim Afonso, é o maior conjunto comercial
construído em São Vicente até fins do século XX, em testada para vias públicas. A foto é de 1936.
Foto: Poliantéia Vicentina, 1982, Ed. Caudex Ltda., S.Vicente/SP
Antônio Peixoto - Nascido em
Portugal, em Lamego, Distrito de Viseu, a 27 de março de 1909, faleceu em São Vicente a 24 de outubro de 1973.
[...] Chegou ao
Brasil em 1921, radicando-se inicialmente em Santos. Por volta de 1928 passou a residir em São Vicente
[...], em 1934
instalou, em sociedade, o Cine Anchieta (no mesmo local onde está o Cine Teatro Jangada e onde funcionou, anteriormente, o Cine
Teatro S. Vicente.
Antônio Peixoto
Foto: Poliantéia Vicentina
[...] Royal permaneceu sob sua direção até 1º de março de 1956, quando transferiu para Marcos L.
Machado. Concomitantemente, Antonio Peixoto manteve programas radiofônicos em Santos, na Rádio
Atlântica e na Rádio Clube, obtendo sucesso maior, nesta última, com seu programa
Recordar é Viver.
Durante mais de vinte anos, a partir da década de 40, foi representante, em
São Vicente, da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais e da União Brasileira de Compositores. A 11 de julho de 1948 fundou a
Sociedade São Vicente Jornal, Gráfica e Editora, com a cooperação de um grupo de cidadãos vicentinos, por ele escolhidos, cuja
organização dirigiu até 31 de julho de 1962. [...] Passou a dirigir a sucursal dos Diários Associados em São Vicente
[...].
Em dezembro de 1970 o dr. Antonio Lima adquiriu a propriedade do São
Vicente Jornal e logo no início de 1971 incorporou-o à Editora e Gráfica Danúbio, onde Antonio Peixoto, como um dos seus
sócios, voltou a dirigir, por mais algum tempo, o S. Vicente Jornal.
Antônio Peixoto, logo que chegou a São Vicente, tornou-se esportista do
Beija-Flor Futebol Clube, onde foi diretor e presidente, a cuja presidência renunciou em março de 1930. Por volta de 1935
dedicou-se à arte cênica, revelando-se além de entusiasta um bom ator, montando um grupo teatral no Esporte Clube Beira-Mar, de
cujo clube também foi diretor.
Ao deixar o Beira-Mar, na memorável crise de 1938, fundou o Centro
Artístico Martim Afonso, promotor de extraordinários espetáculos cênicos em São Vicente, Santos e interior paulista. Ao sair do
Beira-Mar participou do grupo dissidente que fundou o Atlântico Clube Vicentino, em 1938. [...] Terminou os seus dias à frente do
Hospital São José - Santa Casa da Misericórdia de São Vicente, como provedor, em cuja instituição hospitalar construiu o
Pronto-Socorro Infantil, instalou o Banco de Sangue e reformulou toda a estrutura técnica, cirúrgica, clínica e administrativa
[...].

O Edifício Antonio Zuffo, em 1936, que no ano seguinte ganharia o serviço de
alto-falantes Royal
Foto: Poliantéia Vicentina, 1982, Ed. Caudex Ltda., S. Vicente/SP
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