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TRILHOS (09)
No tempo dos bondes da City... (4)

Fundada em Londres (Inglaterra) em 1880, a The City of Santos Improvements & Company Ltd. (conhecida como a City) era destinada à exploração de serviços públicos em Santos.


Inauguração da estação dos bondes elétricos, na Vila Mathias, em 28 de abril de 1909
Foto: coleção Marques Pereira, in Poliantéia Santista

Em 7 de maio de 1881, um decreto do Governo Imperial (assinado pelo ministro e secretário de Negócios e Agricultura, Comércio e Obras Públicas, Manoel Buarque de Macedo) autorizou a empresa a funcionar no Brasil.

Um mês depois, a empresa incorporou ao seu patrimônio a Companhia Melhoramentos de Santos (que em 21 de fevereiro de 1870 tinha contratado com a municipalidade a prestação de serviços de distribuição de água, iluminação a gás e transporte de passageiros e cargas sobre trilhos), passando a prestar esses serviços.

Os primeiros diretores da City foram D.M. Fox (chairman), ocupando o cargo até 1916; E.J. Haloey, M.H. Mosca e o coronel João Frederico Russel, este último integrando desde 1868 a Cia. de Melhoramentos. Para gerente geral da organização foi nomeado, a 12 de dezembro de 1881, H.K. Hoyland, desempenhando o cargo até aproximadamente 1892/93.


Construção do Jardim da City, destacando-se o novo coreto ampliado
e à esquerda a sede do Santos Atlético Clube, depois sede do E.C.Beira-Mar
Foto: Poliantéia Santista

Ampliação - Como registra o livro Poliantéia Vicentina (Editora Caudex, 1982), já em 1881, a City anunciava, através dos jornais, novas instalações de água e gás, assim como a prolongação horária de alguns dos seus serviços de bondes (até as 2 horas).

Em 1890, a City vendeu à Cia. de Melhoramentos de São Paulo algumas das linhas que recebera da Cia. Melhoramentos de Santos. Este patrimônio voltou a ser da City em 20 de fevereiro de 1904, quando adquiriu a Cia. Paulista de Viação, que tinha por sua vez incorporado as linhas da Emmerich e Ablas, da Éboli e Cia., do dr. João Éboli e da Cia. Ferro Carril Santista.

Adquiriu também, em março de 1908, a Ferro Carril Vicentina, passando a ter o monopólio do transporte urbano na orla santista. A City fez trafegar o primeiro bonde elétrico de Santos a São Vicente (via Matadouro) em 24/5/1909 (em Santos a 28/4/1909).

A Lei nº 14 de 10/3/1908 autorizou a assinatura do contrato entre a municipalidade de São Vicente e a City (firmado quatro dias depois), dando a concessão do serviço de transportes por bondes elétricos a essa empresa.


Bernardo Browne, homenageado em 1937 pelos seus 25 anos de serviço na empresa
Foto: Poliantéia Santista

A partir de 1913, a City passou a ser gerenciada por Bernardo Browne, que iniciou grandes obras e serviços no sentido do progresso de Santos:

coreto para retretas na praia (ao lado do Canal 2);

o primeiro campo de futebol iluminado da América do Sul (na Rua Tolentino Filgueiras, inicialmente na esquina da Avenida Washington Luiz e depois mudado para a esquina da Rua José Caballero, em Santos), com campo murado. Posteriormente, desfez-se do terreno e construiu outro no bairro do Jabaquara, junto à Santa Casa, também iluminado;

jardins públicos, junto às suas estações ou subestações de bonde ou transformadoras de eletricidade, tais como na Vila Mathias, no Boqueirão, no Marapé e em outros bairros santistas;

O coreto e parte do Jardim da City em 1944,
já com manutenção feita pela prefeitura vicentina
Foto: Poliantéia Santista

um famoso rinque de patinação na Rua XV de Novembro, esquina com a Rua Jacob Emmerich, em São Vicente;

o belo Jardim da City, atual Praça Coronel Lopes (São Vicente), inteiramente cercado e asfaltado, com vários recantos em elevação, com muitos bancos e iluminação, tendo ao centro o coreto para retretas públicas que já existia na época, depois ampliado para receber grandes espetáculos públicos, inclusive cinema e bailes populares;

excursões de bonde aos domingos à Ilha Porchat e à Biquinha de São Vicente, bem como ao Porto Tumiaru, local muito procurado por sua produção de bananada.

O prédio-sede da City, na Praça dos Andradas (depois ocupado pela Eletropaulo, foi o primeiro da América do Sul a ter ar condicionado central, refrigerando todas as suas dependências.


Usina de gás da City, na Rua Marquês de Herval (bairro do Valongo),
que abastecia Santos de gás encanado
Foto: Poliantéia Santista

Os serviços de transportes coletivos em Santos e São Vicente foram mantidos pela City até 1951, quando Santos municipalizou o transporte através do Serviço Municipal de Transportes Coletivos (SMTC). O serviço de água funcionou até 1953 em Santos, São Vicente e Cubatão, passando ao governo estadual.

Os serviços de eletricidade, iniciados pela City na primeira década do século XX (em São Vicente, o contrato foi assinado em 5/3/1908), foram transferidos para a Light em 1967. O fornecimento de gás encanado terminou em 1965, quando da explosão do gasômetro situado na Rua Pêgo Júnior, na Vila Mathias.
 
Veja no próximo trilho a conclusão da  história da City!

Carlos Pimentel Mendes