 Anúncio
de um baile de máscaras, publicado em 1851 na Revista Comercial,
em Santos Imagem publicada
com a matéria
A folia santista,
desde o século XIX
Em
meados do século passado (N.E.:
XIX) o povo santista se divertia à
base do violento entrudo, percorrendo ruas e logradouros, enquanto a nata
da sociedade preferia freqüentar o vetusto teatro do antigo Largo
da Coroação ou Largo do Chafariz, hoje Praça Mauá.
Ali aconteciam bailes de máscaras (bals masqués),
em homenagem ao Deus Momo.
Também
já existiam à época, os desfiles de carros alegóricos
(préstitos), como o da Sociedade Carnavalesca Santista (fundada
em 1857), formada por inúmeras autoridades e pessoas gradas. Além
de pioneira, a Sociedade também participou do primeiro carnaval
santista, acontecido no dia 14 de fevereiro de 1858 (no domingo gordo),
em pleno Largo da Coroação, ao som de bandas e com a presença
de cavaleiros mascarados e fantasiados.
 Grupo feito
no Clube dos Girondinos, em 1910. Ao alto,
juntos, os cenógrafos Mimi Alfaya, Octávio Silveira e Astolpho
Correa Foto publicada
com a matéria
Até
fins do século passado (N.E.: XIX),
o carnaval de Santos teve destacadas entidades semelhantes à Sociedade
Carnavalesca, seguidas de outros grupos com denominações
variadas e até curiosas, como o Vilões Santistas, que dançavam
cruzando bastões, logo imitado por outras agremiações
surgidas no começo deste século (N.E.:
XX).
 Carro alegórico
da Companhia Antárctica, em homenagem ao "Sport", em 1923 Imagem: reprodução
de História do Carnaval Santista, de Bandeira Júnior, junho de 1974,
gráfica A Tribuna, Santos/SP
Nos idos de
1917, os blocos carnavalescos começaram a marcar presença
no tríduo momístico, ganhando projeção a partir
da década de 30 e alcançando seu climax nos anos de 50 e
60. No início da década de 20, os ranchos e choros passaram
igualmente a figurar no cenário carnavalesco da cidade, e, a exemplo
dos blocos, tiveram sua época de esplendor - o último que
restou foi o Chorões Santistas, fundado em 1962. Ainda nos anos
20, os cordões de baianas empolgavam o público com os requebros
e sapateados de suas cabrochas.
 O espetacular
alegórico do Tudo no Escuro, destaque do carnaval de 1937 Imagem: reprodução
de História do Carnaval Santista, de Bandeira Júnior, junho de 1974,
gráfica A Tribuna, Santos/SP
O primeiro
banho de mar à fantasia de que se tem notícia, em Santos,
ocorreu num domingo anterior ao canaval de 1922, numa promoção
do bloco Pé no Fundo, do Clube Internacional de Regatas, quando
os foliões desfilaram pela areia da praia do Gonzaga e foram mergulhar
no mar. Também o pessoal do C.R. Saldanha da Gama promoveu um desfile
idêntico na sexta-feira que antecedeu o tríduo momístico
daquele ano de 22, em frente à sede do clube, na Ponta da Praia.
 Acampamento
de peles-vermelhas, do Bloco Agora Vai..., em 1958 Imagem: reprodução
de História do Carnaval Santista, de Bandeira Júnior, junho de 1974,
gráfica A Tribuna, Santos/SP
Em 1923, coube
ao B.C. Pé-no-Lodo, do C.R.Santista, cuja sede ficava na antiga
Bocaina (do outro lado do Estuário), realizar um banho de mar à
fantasia, também no domingo antes do carnaval. No mesmo ano, uma
turma do C.R. Saldanha da Gama não deixou de promover um desfile
na Ponta da Praia, seguido do banho de mar à fantasia, repetindo
o evento em 1924 e 1925, quando passou a contar com o incentivo do carnavalesco
carioca Lorde Gorila (Luís Marciano Vieira Carvalho). Foi nessa
época que a divertida patuscada veio a chamar-se Dona Dorotéia,
Vamos Furar Aquela Onda?
 "Cegonha"
transportando bebê, do Agora Vai..., em 1958 Foto: reprodução
de História do Carnaval Santista, de Bandeira Júnior, junho de 1974,
gráfica A Tribuna, Santos/SP
Comandado pelas
consagradas tias Euclydia (já falecida) e Lydionetta, o Rancho-Escola
Arrasta a Sandália fez furor nos anos 30 e 40 - decaindo na década
de 50 -, sempre batucando e desfilando com baianas. Outro rancho com características
idênticas, o Novo Horizonte, surgiria em 1947, integrado por crioulos
da
pesada, ganhando fama devido à sua contagiante batucada e pelas
evoluções de seus endiabrados balisas. Naqueles tempos, imperavam
as chamadas Batalhas de Confete, que antecediam o carnaval e eram realizadas
nos bairros, nas praias e no centro da cidade.
Com o crescimento
do carnaval santista, o então secretário executivo do Conselho
Municipal de Turismo, jornalista Olao Rodrigues (Lorde Diavolino), passou
a promover, a partir de 1955, um desfile oficial na areia da praia do Gonzaga,
contando com a participação de blocos representando os clubes
praianos da cidade. Tal desfile, promovido num domingo anterior ao do Dona
Dorotéia, além de inúmeros foliões com suas
estranhas fantasias, contava com a presença de S.M. o Rei Momo I
e Único (de short, capa, coroa e cetro real) e da Rainha
do Carnaval (vestindo maiô, capa e coroa). Chegou a constituir-se
uma verdadeira atração, devido à originalidade das
fantasias de papel crepon, de celofane e de papel laminado. A patuscada
foi reativada em 1986, pela prefeitura, através da secretaria de
Turismo.
As escolas
de samba merecem um capítulo à parte na história do
carnaval santista. Já em 1939 foi anunciada a presença da
Escola de Samba Não É o que Dizem nos festejos comemorativos
do centenário da cidade. A partir do início da década
de 40, surgiram os agrupamentos ou escolas pioneiras, como a Número
Um do Canal 3, da Ilha Maldita (1941); Aí Vem a Favela, do
Campo Grande (1942); Xisnove, da Bacia do Macuco (1944) e outras, que passaram
a desfilar pelas ruas durante os festejos momísticos.
Até
1946, no entanto, ainda não havia ocorrido uma disputa entre as
chamadas escolas de samba, que eram constituídas por pessoas das
camadas mais pobres da população, principalmente por negros
e mulatos, na sua maioria trabalhadores braçais e malandros, que
saíam de balisas e na bateria, enquanto as cabrochas, que eram empregadas
domésticas e lavadeiras, integravam as alas de baianas ou de pastoras
(coro e canto).
Até
então, somente eram programados concursos para as categorias choros,
grupos, blocos e ranchos, que aconteciam durante as batalhas de confete,
em casas de espetáculos, clubes ou campos de futebol, sempre com
o apoio da imprensa, do comércio e do povo em geral. A primeira
disputa envolvendo escolas de samba teve lugar na Rua General Câmara,
em fevereiro de 1947, por iniciativa de cronistas carnavalescos e com o
apoio dos comerciantes do centro da cidade. Foi campeã a E.S. Xisnove
e vice a E.S. Vitória.
Depois daquele
primeiro concurso-extra, os certames entre as agremiações
de samba se incorporaram ao carnaval santista, graças à eficiente
colaboração dos jornais, emissoras de rádio, do comércio
e dos foliões que promoviam monumentais batalhas de confete, tendo
como cenário as ruas de centro e dos bairros. Quanto ao primeiro
concurso extra-oficial, com a chancela do antigo Conselho Municipal de
Turismo, aconteceu no carnaval de 1954, quando sagrou-se campeã
a E.S. Brasil, seguida da E.S. Xisnove.
Apesar da oficialização
do carnaval, as escolas de samba continuaram relegadas a um plano inferior,
pois somente desfilavam na segunda-feira magra, enquanto o desfile
dos blocos, considerado então o ponto alto do carnaval, era no domingo
gordo.
Embora sofrendo preconceitos, olhadas com um certo desprezo por aqueles
que as consideravam "blocos de negros e desordeiros", as escolas de samba
prosseguiram na luta, ganhando merecida projeção a partir
do início dos anos 60, quando já desfilavam no domingo de
carnaval. A evolução das escolas chegou ao ponto de, de 1966
a 1971, além dos Simpósios e Festivais de Samba, Santos sediar
um "Campeonato Estadual de Samba", com a participação de
agremiações locais, de São Paulo, Campinas e Ribeirão
Preto. A Império do Samba foi campeã estadual de 1967 a 1970;
em 71, o V Campeonato foi suspenso devido a um forte temporal.
 Detalhe
do carro alegórico Reino de Ming, do Cruz de Malta, em 1968 Foto: reprodução
de História do Carnaval Santista, de Bandeira Júnior, junho de 1974,
gráfica A Tribuna, Santos/SP
No carnaval
de 1972, o certame oficial promovido pela Sectur contou somente com escolas
de samba do município, que voltaram a disputar a supremacia do mundo
do samba local em 73, 74 e 75. A partir de 76, o concurso oficial de Santos
passou a contar com agremiações de São Vicente, Guarujá,
Cubatão e Praia Grande, transformando-se num evento de âmbito
regional - o campeonato Regional de Samba, oficializado em 1982, por sugestão
do cronista Cabo Batucada, elevando o município à
condição de "Capital do Samba" da região. A E.S. Mocidade
Independente Padre Paulo foi a primeira campeã regional.
 Alegórico
do Bloco Chineses do Mercado, no Carnaval de 1969 Foto: reprodução
de História do Carnaval Santista, de Bandeira Júnior, junho de 1974,
gráfica A Tribuna, Santos/SP
Em 1984, o
certame reuniu apenas agremiações da cidade, voltando a sediar
o Campeonato Regional em 1985, tendo sido igualmente promovido pela Sectur
em 86, com o apoio da Prodesan; a E.S. União Imperial foi bicampeã
regional. Assim é que, depois da oficialização do
carnaval, os desfiles das escolas de samba começaram a se projetar,
ganhando, com o correr do tempo, uma posição destacada (após
suplantar os blocos), constituindo-se na maior atração carnavalesca
de toda a Baixada Santista.
Depois que
as escolas alcançaram uma posição privilegiada na
história do carnaval da cidade, surgiram as bandas, que também
vieram alegrar os dias que antecedem ao tríduo momístico,
merecendo destaque, atualmente, a Bandafro, que conta com o apoio dos mais
renomados sambistas de Santos, inclusive dos ex-Cidadãos Samba.
 Anúncio
do único baile realizado no primitivo Colyseu santista, em 1898 Imagem: reprodução
de História do Carnaval Santista, de Bandeira Júnior, junho de 1974,
gráfica A Tribuna, Santos/SP
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