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Rodovia dos Imigrantes, em final de construção da segunda pista em 2002
Foto:
divulgação/Ecovias - imagem circulando via Internet, enviada a Novo Milênio por
Marco Antonio Carlo, em 25/8/2009
Fernando Martins Lichti (*)
A região da Serra do Mar criou para a
engenharia rodoviária, na construção da Rodovia dos Imigrantes, uma série de problemas, como os picos, encostas, vales
profundos, inconsistência do terreno e as constantes chuvas que ocorrem nessa área.
Inicialmente foi aberta uma estrada de serviço, para que máquinas e homens tivessem acesso à
serra. Construíram, assim, uma estrada com 39 quilômetros de extensão, em concreto e asfalto, com 300 metros de pontes
metálicas. Para a proteção do solo, foram plantados um milhão de metros quadrados de grama.
Não estava ainda terminada esta estrada, quando começou a construção da pista ascendente (Santos-São
Paulo), preparando-se os canteiros de obras, fábricas de concreto, alojamentos para o pessoal e os próprios trabalhos de
abertura da nova rodovia. Eram quinze mil operários vindos de todo o Brasil, 100 engenheiros e centenas de máquinas.

Rodovia dos Imigrantes, cerca de 1980
Foto: divulgação, 1980
Atualmente a pista ascendente conta com 17,8 quilômetros de extensão. Desse total, menos de
seis quilômetros perfazem o trecho inicial da serra, em terraplenagem. O restante da estrada compreende 11 túneis, com 3.919
metros e 20 monumentais viadutos, com 8.090 metros.
Esta pista da Imigrantes tem três faixas de tráfego, com rampa máxima de 6% e raios de
curvatura que possibilitam ao tráfego desenvolver velocidades de 110 quilômetros por hora, com toda segurança.
No trecho da serra, o leito da estrada se apóia em fundações e pilares cravados na rocha a
profundidades de até 40 metros, com mais de 80 metros levantados no ar. Os muros de contenção das encostas estão fixados nas
rochas, através de cabos de aço que penetram no solo até 35 metros de profundidade na linha horizontal. Cada um desses cabos
está preso às placas de concreto que formam os muros, suportando pressões de até 60 toneladas.
No planejamento e construção da estrada foi levada em conta a preservação da ecologia,
paisagem e características do terreno por ela atravessado. A empresa responsável pela rodovia - Dersa Desenvolvimento Rodoviário
S.A., vinculada à Secretaria dos Transportes - plantou, no trecho do planalto, cinco milhões de metros quadrados de gramados e
28 mil arbustos ao longo da estrada.
Também o trecho da baixada e a interligação Imigrantes-Anchieta receberam gramados na mesma
escala. Foi realizado, ainda, o replantio de espécies da região, no trecho da Serra do Mar, por onde sobe a estrada.
A rodovia é completada com mais duas pistas na Serra do Mar; a descendente, sentido São
Paulo-Santos, e a reversível, cujo sentido de tráfego é mudado de acordo com as necessidades.
Ambas têm duas faixas de tráfego, sobre piso de concreto, e são sobrepostas em toda a sua
extensão, inclusive nos túneis e viadutos.
A Rodovia dos Imigrantes é a maior obra de engenharia rodoviária da América Latina e uma das
cinco maiores estradas já construídas no mundo.

Trecho de serra da primeira pista da Rodovia dos Imigrantes, logo após a
inauguração em 1976
Foto publicada com a matéria
Esta estrada foi construída e planejada com o objetivo de servir como amplo corredor de
exportação entre o maior complexo industrial e o maior porto da América Latina. A economia de São Paulo e de vários outros
estados depende em grande parte da Imigrantes, já que a Via Anchieta se encontrava próxima da saturação, devido ao
desenvolvimento paulista e brasileiro de uma forma geral.
A 23 de janeiro de 1974, era inaugurado o primeiro trecho, ligando São Paulo ao alto da Serra,
com uma extensão de 30,5 quilômetros.
Em junho de 1976, foi aberta ao tráfego em toda a sua extensão.
(*) Extraído do livro Poliantéia Santista, publicado por esse autor junto com a republicação da História de Santos, de
Francisco Martins dos Santos.

Bebedouro na Rodovia dos Imigrantes, em cartão postal da década de 1980
(série FotoImpress nº 56, de Santos/SP)
O monumento representa a conquista das trilhas da Serra, mostrando à
esquerda a Trilha do Perequê, de 1520, primeira ligação Baixada/Planalto. Ao centro, painel de azulejos mostra a subida dos
viajantes pela serra, a pé, no século XIX
Imagem cedida a Novo Milênio pelo historiador santista Waldir Rueda
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