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CULTURA/ESPORTE NA BAIXADA SANTISTA - A.Schmidt
Afonso Schmidt - Filme de A Marcha (3)

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Em 1972, o diretor e roteirista Osvaldo Sampaio realizou o filme "inspirado na obra de Afonso Schmidt" A Marcha, tendo o "rei do futebol", Pelé (Edson Arantes do Nascimento) no papel de Chico Bondade, contracenando com os consagrados Paulo Goulart, Nicete Bruno, Rodolfo Mayer e Verah Sampaio. A obra não foi bem recebida pela família do escritor, como se verifica nesta carta ao jornal Folha de São Paulo, enviada pela irmã Maria Clara Schmidt, em 1º de junho de 1971 (imagem cedida a Novo Milênio em 19/3/2008 pelo filho do escritor, Aldo Schmidt):
 






Imagens cedidas a Novo Milênio em 19/3/2008 por Aldo Schmidt

São Paulo, 1º de junho de 1971.

Prezado Senhor

Redador-chefe da Folha de São Paulo

Saudações

Venho, por meio desta, lançar um protesto contra uma reportagem publicada na "Folha" de hoje, sobre a filmagem de um romance de meu irmão o falecido escritor Affonso Schmidt. Essa reportagem, entre outras cousas, diz que a "Marcha" é uma obra incompleta de Affonso Schmidt, o que não é verdade. A "Marcha", Sr. redator, é um romance histórico completo, sua obra preferida e que foi premiada pela Academia Brasileira de Letras, em 1942, com o prêmio Machado de Assis.

A reportagem diz que o sr. Oswaldo Sampaio, diretor do filme, não seguirá o romance. Precisará seguir, sim, pois de modo nenhum queremos e consentiremos que a obra de meu irmão seja deturpada e que sua idéia e pensamento sejam desrespeitados por ninguém. Sei perfeitamente que precisa haver uma diferença entre o livro e o filme mas, tudo isso, dependendo da autorização dos herdeiros do escritor. Até este momento, por incrível que pareça, os filhos de Affonso Schmidt não foram procurados pelo dito Sr. Oswaldo, por ninguém por ele e nenhuma autorização lhes foi pedida para ser feito esse filme.

Ainda agora, quando o escritor Ferreira de Castro esteve no Brasil, contou à "Manchete" que um seu livro ia ser filmado, já havia dado autorização para isso, mas, quando viu a porcaria que estavam fazendo, cancelou imediatamente a licença.

O Sr. Oswaldo Sampaio não quis saber de nada: contratou atores, escolheu local, deu entrevistas, só não se lembrou de perguntar a opinião dos filhos e família do escritor sobre isso. Foi uma triste surpresa para nós ao lermos a "Folha" (justamente a "Folha"!) Sr. redator e depararmos com essa reportagem fajuta (desculpe). Peço-lhe desculpas por estar me dirigindo ao Sr. mas, pode crer, ficamos aborrecidíssimos com tudo isso (pela milha letra o Sr. poderá avaliar), mas temos razão: quando é levantada a cortina de silêncio colocada em torno do nome de Affonso Schmidt e de sua obra, já sabemos que vamos sofrer. Isso tudo é muito triste. Lançarem mão de uma obra premiada e histórica, dizerem que ela é uma obra incompleta, apoderarem-se dela e agirem como se estivessem em plena terra de ninguém.

Estou protestando por ter ficado muito triste e revoltada com a reportagem da "Folha", mas quero deixar bem claro que não nos compete para filmagens e nem o contrato sobre direitos autorais: isto é exclusivamente com os filhos do escritor falecido.

Ao terminar, quero dizer de nossa satisfação ao vermos Pelé, o bem amado Pelé, trabalhando nesse filme. Era a obra querida do autor e, se fosse vivo, isso lhe causaria muita alegria, grande amigo e admirador da raça negra, que era.

Esperando a fineza de uma retificação, muito grata,

M. Clara Schmidt

R. Caramuru, 346, Vila Mariana - São Paulo

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