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Publicado originalmente pelo editor de Novo Milênio no caderno Informática do jornal A Tribuna de Santos, em 16/11/1999.
Última modificação em (mês/dia/ano/horário): 01/05/00 11:24:11
ECONOMIA
Quando o tempo decide a cotação 

Vejamos agora o incrível: até pouco tempo atrás, o preço da passagem aérea ou do ingresso no teatro eram fixos, conforme a localização da poltrona e o serviço oferecido. O avião tinha de levantar vôo e o espetáculo tinha de continuar, mesmo que a maior parte dos lugares estivesse vazia. Então, descobriu-se que pela Internet era possível oferecer na última hora esses lugares vagos, praticamente por qualquer preço, já que não haveria custo extra (não há o custo de campanha publicitária para tal promoção, por exemplo), e qualquer lugar assim preenchido representaria lucro adicional, pois de outra forma ficaria vago mesmo. Talvez chegue o dia em que você escolha a poltrona no avião não mais entre fumantes ou não fumantes, mas entre pagantes e gratuitos (estes teriam que enfrentar, durante o vôo, uma sessão de ShopTime ou equivalente...)

O internauta com disponibilidade para aproveitar uma oferta dessas pode até fazer um lance, informando que quer viajar de tal a tal lugar, em tal data e por um preço que ele mesmo determina, e como garantia de que fará a viagem se uma empresa aérea topar o lance, ele informa os dados de seu cartão de crédito. Um site da Internet especializado nesse trabalho envia as ofertas dos internautas às companhias e a que concordar já emite o bilhete. Ganha o comprador, que obtém o lugar no avião (ou no teatro) por um preço ínfimo. Ganha o vendedor, ao recuperar uma venda que já dava por perdida. E ganha o site que faz a intermediação, por uma pequena taxa de comissão. Acredita agora?

Quem evita que simplesmente todos passem a esperar pelas ofertas de última hora é um novo tipo de profissional, o especialista em yield management, que precisa ter sensibilidade para adequar os preços e serviços de forma a ocorrer o mínimo de encalhe, prevendo o comportamento do consumidor, e em seguida encontrar a melhor forma de se descartar do encalhe ainda existente. Não só nas companhias aéreas, mas em qualquer setor de atividades, como prevê a guru americana do mercado de informática, Esther Dyson. Afinal, de que adianta um quarto de hotel vago, até mesmo um táxi rodando vazio?

Inversão – A mesma idéia do leilão ao contrário vale para qualquer outro produto ou serviço imaginável. Em vez do leiloeiro representar o vendedor, buscando quem faz o maior lance, passa a representar o comprador, aguardando o menor lance antes de bater o martelo. Novamente, o comprador ganha ao obter o produto pelo menor preço possível. O leiloeiro também tem sua comissão pelo trabalho de intermediação. E como é um leiloeiro eletrônico, algumas vezes sem a necessidade de pessoas para fazer essa intermediação, o custo também é pequeno. 

O vendedor que - por encalhe do estoque, por necessidade de fazer capital de giro, ou simplesmente por ter o menor custo - puder aceitar a proposta vai lucrar com a venda, que se tornaria impossível de outra forma, já que o comprador não teria conhecimento de sua oferta. Ainda acha isso um absurdo?

Tanto não é que já existem empresas (como a CompareNet) que fazem para você a comparação de preços nos supermercados e magazines, buscando as melhores ofertas de cada loja para cada item de sua lista de compras. O valor pago pelo serviço é amplamente compensado pela redução do custo total das compras, e em certos casos você anda recebe os produtos confortavelmente em casa. A propósito, veja no Brasil o site Compare.com, na Internet desde 1/10/1999. 

Como conseqüência, empresas como livraria Books.com passaram a usar programas que buscam os preços dos concorrentes, fazem a comparação e reduzem automaticamente qualquer preço que seja maior do que o encontrado na concorrência.

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