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FENÔMENO - Na Praia do Gonzaguinha, em São Vicente, a faixa de
areia está encolhendo. Moradores do local e freqüentadores vêm percebendo as mudanças ao longo dos anos
Foto: João Vieira, publicada com a matéria
FENÔMENO
Praia do Gonzaguinha está diminuindo
Faixa de areia ficou mais estreita no trecho entre os molhes
Suzana Fonseca
Da Sucursal
Quem mora ou freqüenta a Praia do
Gonzaguinha, em São Vicente, há alguns anos, tem observado a gradativa redução da faixa de areia no trecho entre os molhes que
começaram a ser construídos após a década de 50. Os mais antigos lembram que, antes, era possível instalar redes para disputas
de tênis, ao lado dos guarda-sóis, ou caminhar os 800 metros da praia, de ponta a ponta, até a Ilha Porchat,
pela areia.
Não precisa ser nenhum especialista no assunto para verificar que,
entre um e outro obstáculo surgidos na areia, invadindo o mar, vem ocorrendo erosão do lado direito e deposição de sedimentos do
lado esquerdo.
Para quem não conheceu a praia antes dessa mudança, é possível
perceber as alterações comparando-se fotos atuais e antigas.
Lados - A mudança é mais acentuada no trecho dos edifícios
Costa Atlântica e Marrocos, situados na Avenida Embaixador Pedro de Toledo, em frente a um desses molhes. "Quando comecei a
trabalhar aqui, tudo isso era praia", lembra o porteiro do Costa Atlântica, Raimundo Santana de Andrade, com o olhar de quem
observa a mesma praia há 14 anos.
Um dos moradores do edifício, Geraldo Braga, apesar de freqüentar
a Praia do Gonzaguinha só há dois anos, conta que os moradores comentam a alteração. "O pessoal fala que antes a praia era
maior".
Com uma faixa de areia menor, a opção é procurar outras praias.
"Os moradores reclamam. Muitos vão para o Itararé, ou procuram as praias de Santos e Guarujá",
acrescenta Andrade.
Ilha Porchat - Para o instrutor de mergulho Clóvis Benno de
Carvalho, essa mudança começou a ocorrer quando foi aterrada a área que dá acesso à Ilha Porchat. "Isso
é coisa de 50 anos", afirma.
Ele recorda que a Praia do Itararé não
tinha a largura que tem atualmente e que a diferença no Gonzaguinha é incontestável. Uma opção, na opinião do instrutor, seria
suspender o acesso à ilha, colocando estacas que dariam passagem à água. "Precisaria jogar a areia de um lado para o outro e
retirar os quebra-mares".
Mas nem tudo se resume à largura da faixa de areia. Outra
indicação das modificações que vêm ocorrendo ao longo dos anos é a altura da areia em relação à calçada.
Há cerca de dois anos, uma moradora do Edifício Augustos, próximo
à Biquinha, reivindicava a construção de uma escada para descer na faixa de areia, já que a altura era muito grande. Hoje, no
mesmo local, a areia está quase no mesmo nível do concreto.

As mudanças no tamanho da
praia ocorridas ao longo do tempo podem ser constatadas...
Imagem: arquivo, publicada com a matéria
Paisagem natural vai continuar sofrendo mudanças
Areia vai, areia vem. Areia vai, areia volta. O que pode demorar
anos para mudar, também pode levar outros tantos para retornar ao que era antes. Como a natureza não é estática, no caso da
Praia do Gonzaguinha, a paisagem que se observa hoje pode sofrer alterações e até mesmo voltar à configuração anterior.
A explicação é do professor de Oceanografia da
Universidade Monte Serrat (Unimonte), de Santos, o
engenheiro civil Guilherme da Costa Silva. Doutor em Engenharia Costeira e Hidráulica, ele concorda que a praia sofreu mudanças,
mas ressalta que elas não são definitivas.
"Com o tempo, a tendência é a areia contornar o espigão (termo
correto, segundo ele, para molhe)". Nesse caso, com o passar dos anos, a Praia do Gonzaguinha voltaria a ter a faixa de areia
com a mesma formação que existia antes de serem erguidas as barreiras.
"Mas, pode demorar décadas para isso, para uniformizar e adquirir
um novo equilíbrio", adverte o professor, lembrando que a função dos espigões é o "engordamento das praias".
Além da intervenção humana com a construção dos molhes, ou
espigões, Silva chama a atenção para a urbanização feita na zona costeira, próxima da linha da costa.

... com a comparação de fotos
antigas e atuais
Foto: João Vieira, publicada com a matéria
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