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HISTÓRIAS E LENDAS DE SANTOS - RECREIO
A história do Recreio (2)

Desencalhe começou 18 meses depois do acidente
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Encalhado em 1971 na praia santista da Ponta da Praia, o navio Recreio afundou na areia e ali ficou por mais de 30 anos, até seus destroços serem finalmente removidos pela Prefeitura. Só um ano e meio depois do encalhe é que começou a retirada do navio, como relatou o jornal santista A Tribuna, destacando o fato como manchete do dia, na edição de 9 de agosto de 1972 (páginas 1 e 10 do primeiro caderno):
 


UM ANO E MEIO DEPOIS, O NAVIO VOLTA AO MAR - Houve rojões, na Ponta da Praia, ontem à tarde: o Recreio, ou o que restou dele, safou-se do banco de areia e foi puxado para o estaleiro, onde vai virar rebocador
Imagem: reprodução da primeira página de A Tribuna, de 9 de agosto de 1972

PORTO & MAR
É verdade, o Recreio saiu

Às 15,57 horas de ontem, os restos do Recreio começaram a flutuar e foram puxados para os estaleiros da Wilson Sons, enquanto os moradores dos edifícios da Ponta da Praia soltavam rojões, para comemorar

Jovem Guarda, rebocador da Wilson, foi o que trabalhou no serviço de desencalhe, orientado pelo proprietário Wladimir Grievs e com auxílio dos oficiais da Capitania dos Portos do Estado de São Paulo. Do antigo Recreio, que encalhou há um ano e meio na ponta da Praia, restava apenas um terço do casco, a parte da frente. O resto foi todo desmontado e retirado por terra.

O que ficou na areia será cortado até a profundidade de um metro e meio para que não haja perigo para os banhistas. Agora, o proprietário do casco quer transformá-lo num rebocador e com ele realizar salvamentos e retirar do fundo do mar restos de navios para que não atrapalhem a navegação.

O Recreio era antes o navio Carl Hoepcke, de fabricação alemã, mas que pertencia à marinha mercante brasileira; foi adquirido por Wladimir Grievs quando não tinha mais condições de navegação nas linhas normais e teve seu motor retirado. Grievs, engenheiro naval russo, transformou o barco numa boate.

No dia 25 de fevereiro de 1971, uma tempestade soltou a âncora que prendia o Recreio e as ondas e marolas trouxeram o barco até a areia da Ponta da Praia, onde encalhou.

O salvamento - As tentativas de retirar o Recreio começaram, ontem, às 13 horas. Segundo os técnicos, a melhor condição era a maré: uma "preamar de sizígia", ou seja, maré alta, muito cheia, que permanece assim por várias horas seguidas.

Pouco depois, a maré subiu bastante o Jovem Guarda começou a puxar. Dez minutos após, o casco balançava. Ainda estava um pouco preso num banco de areia. Por três vezes, rebentou o cabo que prendia o casco ao rebocador, mas às 15,17 horas o Recreio saiu. Houve esboço de palmas do pessoal que assistia, na praia, à tentativa de salvamento, e os moradores dos prédios da Ponta da Praia (que reclamaram muito por causa das dinamites que explodiram, durante as operações para livrar o casco da areia) soltaram rojões, em comemoração. Do convés, o engenheiro Wladimir Grievs acenava com os braços, a sua manifestação de alegria.


Foto publicada com a matéria, sem legenda

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