Clique aqui para voltar à página inicialhttp://www.novomilenio.inf.br/santos/h0300a2nb049.htm
Última modificação em (mês/dia/ano/horário): 11/28/10 15:15:37
Clique na imagem para voltar à página principal
HISTÓRIAS E LENDAS DE SANTOS - SANTOS EM 1587 - BIBLIOTECA NM
1587 - Notícia do Brasil - [I - 45]

Clique na imagem para voltar ao índice desta obraEscrita em 1587 pelo colono Gabriel Soares de Souza, essa obra chegou ao eminente historiador Francisco Adolpho de Varnhagen por cópias que confrontou em 1851, para tentar restabelecer o texto original desaparecido, como cita na introdução de seus estudos e comentários. Em 1974, foi editada com o mesmo nome original, Notícia do Brasil, com extensas notas de importantes pesquisadores. Mais recentemente, o site Domínio Público apresentou uma versão da obra, com algumas falhas de digitalização e reconhecimento ótico de caracteres (OCR).

Por isso, Novo Milênio fez um cotejo daquela versão digital com a de 1974 e com o exemplar cedido em maio de 2010 para digitalização, pela Biblioteca Pública Alberto Sousa, de Santos, através da bibliotecária Bettina Maura Nogueira de Sá. Este exemplar corresponde à terceira edição (Companhia Editora Nacional, 1938, volume 117 da série 5ª da Brasiliana - Biblioteca Pedagógica Brasileira), com os comentários de Varnhagen. Foi feita ainda alguma atualização ortográfica:

Leva para a página anterior

Tratado descritivo do Brasil em 1587

Leva para a página seguinte da série


Trecho do capítulo, na edição de 1938 da Biblioteca Pública Alberto Sousa

PRIMEIRA PARTE - ROTEIRO GERAL DA COSTA BRASÍLICA

Capítulo XLV

Em que se diz quem são os goitacases, sua vida e costumes.

Pois que temos declarado quase toda a costa que senhoreavam os goitacases, não é bem que nos despeçamos dela passando por eles, pois temos dito parte dos danos que fizeram aos povoadores do Espírito Santo e aos da Paraíba, os quais antigamente partiam pela costa do mar da banda do Sul com os tamoios, e de Norte com os papanases, que viviam entre eles, e os tupiniquins, e como eram seus contrários, vieram a ter com eles tão cruel guerra que os fizeram despejar a ribeira do mar, e irem-se para o sertão, com o que ficaram senhores da costa até confinar com os tupiniquins, cujos contrários também são, e se matam e comem uns aos outros, entre os quais estava por marco o Rio de Cricaré.

Este gentio foi o que fez despovoar a Pedro de Góis, e que deu tantos trabalhos a Vasco Fernandes Coutinho. Esse gentio tem a cor mais branca que os que dissemos atrás, e tem diferente linguagem; é muito bárbaro; o qual não granjeia muita lavoura de mantimentos: plantam somente legumes, de que se mantêm, e a caça, que matam às flechadas, porque são grandes flecheiros.

Não costuma esta gente pelejar no mato, mas em campo descoberto, nem são muito amigos de comer carne humana, como o gentio atrás; não dormem em redes, mas no chão, com folhas debaixo de si.

Costumavam estes bárbaros, por não terem outro remédio, andarem no mar nadando, esperando os tubarões com um pau muito agudo na mão, e, em remetendo o tubarão a eles, lhe davam com o pau, que lhe metiam pela garganta com tanta força que o afogavam, e matavam, e o traziam à terra, não para o comerem, para o que se não punham em tamanho perigo, senão para lhes tirar os dentes, para os engastarem nas pontas das flechas.

Tem esse gentio muita parte dos costumes dos tupinambás, assim no cantar, no bailar, tingir-se de jenipapo, na feição do cabelo da cabeça e no arrancar os mais cabelos do corpo e outras gentilidades muitas que, por escusar prolixidade, as guardamos para se dizerem uma só vez.