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Fachada do Instituto Escolástica Rosa
Foto: Prefeitura Municipal de Santos
Escolástica Rosa
Primeira escola profissionalizante
do País, tem cursos de nutrição, metalurgia e extensão do ensino médio. O projeto do engenheiro Ramos de Azevedo previu uma
divisão em cinco blocos, semelhante a pavilhões hospitalares. Hoje eles são interligados por galerias com arcos, criando um
pátio interno. Em ambos os pavimentos, a madeira domina assoalhos, forros saia-e-camisa, portas de duas folhas e vidraças tipo
guilhotina.
Na parte externa, as janelas contam com molduras em vergas,
umbrais e parapeitos, e distribuem-se com simetria na fachada principal. Esta possui pórtico como elemento de ressalto,
originando um abrigo no acesso central, arrematado por frontão ondulado. Tal coroamento, próprio do estilo neocolonial conferido
por reformas realizadas entre 1936 e 1951, repete-se nas laterais e no centro do prédio.
Inaugurado em 1908, o instituto foi criado por João Octávio dos
Santos, filho bastardo do Conselheiro João Octávio Nébias e da escrava Dona Escholástica Rosa. Superando os preconceitos e
dificuldades de sua condição, o comerciante enriqueceu com a exportação de banana. Exerceu diversos cargos públicos e tornou-se
conhecido pela honradez e caridade. Fundou o orfanato com o objetivo de assegurar educação, cultura e profissão a órfãos e
bastardos.
O regulamento da escola proibia castigos físicos e estipulava um
enxoval para cada aluno, com uniformes de gala e de uso diário. Determinava que alguns funcionários, professores e o diretor
residissem no local, cabendo a este último a tarefa de fazer todas as refeições com os internos, comendo da mesma comida e
ensinando-lhes bons modos à mesa, em substituição à figura paterna.
Deixou 74 imóveis, para que os aluguéis garantissem a manutenção
da escola. Até 1931 esta ficou sob a administração da Santa Casa, época em que foi assinado um convênio com o governo do Estado,
por um período de 50 anos. Por volta de 1980 o internato foi fechado e o Estado firmou com o hospital, mantenedor da escola, um
contrato de locação. Tombado em 1992, o prédio acha-se em processo de restauração. Av. Bartolomeu de Gusmão nº 111.

Uma estátua de João Octávio lendo um livro está localizada no
pátio interno do prédio
Foto: Prefeitura Municipal de Santos
João Octávio dos Santos
O sonho de Dona Escolástica Rosa era criar um internato e escola
profissional para abrigar meninos órfãos e carentes e propiciar-lhes o aprendizado de uma profissão. Seu filho, João Octávio dos
Santos, levou a vontade da mãe adiante. Quando morreu, em 1900, o negociante de sucesso deixou expresso em testamento a
construção do Instituto Dona Escolástica Rosa.
Nascido em Santos, João Octávio era solteiro e não possuía
herdeiros. Determinou que a escola seria administrada pela Santa Casa de Misericórdia, da qual foi provedor e, ainda, todas as
regras de funcionamento e bens para manter a instituição para sempre.
A unidade foi inaugurada em 1908. Para ingressar nela, era preciso
ser de família sem recursos e ter entre nove e 14 anos. Os meninos viveriam por quatro anos no instituto e teriam alimentação,
roupas, banho e assistência médica.
Com o tempo, o internato foi desativado, bem como as determinações
de João Octávio. Hoje, a EEPSG Escolástica Rosa fica na Av. Bartolomeu de Gusmão, 111, na Ponta da Praia, e atua como escola
profissionalizante. Foi construída no local onde ficava a chácara da família de Octávio. Funcionam neste espaço a EESG.
Aristóteles Ferreira e a Faculdade de Tecnologia da Baixada Santista (Fatec).
Em homenagem a João Octávio, há uma estátua no jardim da praia,
bem em frente à Escolástica Rosa, representando o negociante conduzindo um aluno. Dentro da escola, encontra-se o mausoléu dele
e mais uma estátua, mostrando Octávio lendo um livro. |