 Flagrantes
do corso, no carnaval de 1914 Foto: reprodução
de História do Carnaval Santista, de Bandeira Júnior, junho de 1974,
gráfica A Tribuna, Santos/SP
Uma tradição
que não resistiu ao tempo: o corso
Nos
antigos carnavais, destacavam-se vistosas carruagens a tração
animal, levando os mascarados das grandes sociedades. Com o tempo, essas
carruagens passaram a desfilar isoladamente, principalmente pelas ruas
do Comércio e XV de Novembro, chegando à Praça Barão
do Rio Branco.
Com o advento
do automóvel, o corso tornou-se motorizado
e, a partir de 1904, passou a ser feito em carros conversíveis,
enfeitados com flores; no desfile do carnaval de 1914 foi organizado um
corso com premiação para o carro que melhor se apresentasse,
e esse desfile, que já era tradicional, passou a se concentrar entre
as ruas XV de Novembro e Frei Gaspar, contornando a Praça Rui Barbosa,
contando com a participação de ilustres cavalheiros e damas
da sociedade santista.
A partir de
1914, também, o corso automobilístico passou a acontecer
na orla da praia (Boqueirão), numa iniciativa do Centro de Diversões
Miramar, com o concurso de mais de 40 veículos. No carnaval de 1915,
coube ao Parque Balneário promover igualmente seu corso, dividindo
os concorrentes entre o Boqueirão e o Gonzaga.
Em 1919, no
chamado "Carnaval da Vitória" (N.E.:
pelo final da Primeira Guerra Mundial, ocorrido em 1918),
as autoridades municipais e a chefia da antiga Companhia City organizaram
o desfile de rua, oferecendo prêmios aos foliões avulsos,
às agremiações e também aos participantes do
corso.
A grandiosa
festa carnavalesca da "Vitória" aconteceu no quadrilátero
compreendido entre as ruas do Rosário (atual João Pessoa),
D. Pedro, General Câmara, XV de Novembro, do Comércio, do
Riachuelo e São Leopoldo, entrando ainda no largo do Rosário
(atual Praça Rui Barbosa) e no antigo Largo da Coroação
(Praça Visconde de Mauá).
 Carro da
Família Lovechio, em 1914 Foto: reprodução
de História do Carnaval Santista, de Bandeira Júnior, junho de 1974,
gráfica A Tribuna, Santos/SP
Contou, também,
com três coretos instalados nas duas praças e na Rua XV, com
o concurso das bandas do Tiro Onze, Corpo de Bombeiros e do encouraçado
Floriano,
além de uma iluminação feérica por todo o percurso,
onde desfilaram os cordões e os automóveis. Tal o sucesso
da festividade, que aquele carnaval foi considerado um dos melhores da
cidade em todos os tempos.
 Corso automobilístico
em 1920, no antigo Largo do Rosário, atual Praça Rui Barbosa Foto publicada
com a matéria
Já em
1921, o corso passou a ser realizado em duas etapas e em locais diferentes:
à tarde, na praia do Gonzaga, e à noite, no centro da Cidade.
 O corso
de 1926 Foto: reprodução
de História do Carnaval Santista, de Bandeira Júnior, junho de 1974,
gráfica A Tribuna, Santos/SP
 O corso
de 1928 Foto: reprodução
de História do Carnaval Santista, de Bandeira Júnior, junho de 1974,
gráfica A Tribuna, Santos/SP
Enquanto existiram
os carros abertos (conversíveis de capota móvel), o corso
imperou no carnaval santista, constituindo-se mesmo na sua grande atração
de rua, junto com os blocos e os cordões.
 Os Ratos
Verdes, no corso de 1937 Foto publicada
com a matéria
Com o surgimento
dos modelos de carros fechados, o corso começou a decair; isso no
início da década de 40. Assim mesmo, até o final daquele
decênio ainda se viam corsos com os chamados fordecos (N.E.:
antigos veículos da marca Ford) e os
foliões se divertindo sentados nos pára-lamas e nas capotas,
ou pendurados nos estribos, num vaivém intenso pela orla.
 Flagrantes
do corso de 1937 Foto: reprodução
de História do Carnaval Santista, de Bandeira Júnior, junho de 1974,
gráfica A Tribuna, Santos/SP
Devido à
crise do combustível durante a II Guerra Mundial, o corso foi acabando,
embora ainda se pudesse ver teimosos foliões a rodar pela praia
e centro da cidade nos dias de carnaval, inclusive caminhões enfeitados
de arcos de bambus e serpentinas, com famílias inteiras nas carrocerias,
pulando ao som das batucadas improvisadas. Já se disse que o corso
transformava cada carro numa unidade carnavalesca.
 Grupo de
russos,
em 1938 Foto: reprodução
de História do Carnaval Santista, de Bandeira Júnior, junho de 1974,
gráfica A Tribuna, Santos/SP
Em 1964, voltou
a ser realizado na orla da praia nos dias de carnaval, embora não
predominasse mais aquela brincadeira sadia de antigamente, quando havia
confete em profusão, muita serpentina e jatos de lança-perfume.
 Em 1962,
o corso já usava os primeiros carros da nascente indústria
automobilística nacional Foto publicada
com a matéria
O que se viu
no corso de 1964 foram as brincadeiras de mau gosto, com o emprego de água
suja, talco e farinha, ultrapassando os limites da tolerância; muitos
jogavam cal virgem e até ácido, causando sérios acidentes
a transeuntes, além da "infernal sinfonia de buzinas", gerando confusões,
brigas e paralisação do tráfego em toda a orla.
 Um carro
alegórico sem pretensão, mas que se destacou no corso de
1962, com o tema
Casa
de Chá do Luar de Agosto Foto publicada
com a matéria
Extinto por
determinação das autoridades policiais em 1966, o corso voltou
a ser promovido na orla em 1973 e, sob forte esquema de segurança,
não logrou êxito, uma vez que os foliões participantes
estavam temerosos de serem atingidos por produtos atirados do alto dos
edifícios.
 O corso
em Santos, já nos anos finais Foto publicada
com a matéria
 O corso
em Santos, já nos anos finais Foto: reprodução
de História do Carnaval Santista, de Bandeira Júnior, junho de 1974,
gráfica A Tribuna, Santos/SP
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