Ministro
Afonso Camargo destaca a gravidade dos problemas nacionais Foto: José
Dias Herrera, publicada com a matéria
Cerimônias
marcam a Abertura dos Portos
"Somente
pela dedicação ao trabalho dentro dos interesses nacionais
é que podemos conduzir nossa pátria pelos anos conturbados
que temos pela frente. São graves os nossos problemas. Não
devemos consentir que as pressões e os sacrifícios nos conduzam
ao desânimo ou a atitudes negativistas. Que o exemplo do Visconde
de Cairú ao levar a Carta Régia ao príncipe ilumine
a trajetória a seguir. E que esta geração consiga
alicerçar neste país valores espirituais, culturais e de
respeito ao Homem, de modo que nossos filhos possam ter uma vida melhor
dentro da democracia, da liberdade e da esperança."
Estas palavras
finalizaram o discurso do ministro dos Transportes, Afonso Camargo, pronunciado
em Santos em alusão ao 178º aniversário da Abertura
dos Portos Brasileiros às Nações Amigas, comemorado
nas dependências do porto santista, com a presença do goernador
paulista Franco Montoro, do ministro da Marinha, Henrique Saboya, do presidente
da Portobrás, Carlos Theóphilo de Sousa e Mello e do presidente
da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Hélio
Nascimento.
O discurso
do ministro foi pautado sobre uma comparação entre as condições
de nossa economia atual e as de há 178 anos, mostrando que "como
ontem, o Brasil tem que alicerçar no processo de exportação
a base do equilíbrio de sua balança comercial. Como ontem,
nossos portos são chamados para este grande esforço. Em 1985,
pelos portos brasileiros, passaram 27 bilhões de dólares
em mercadorias destinadas aos mercados externos e 15 bilhões de
dólares em mercadorias importadas. Ao todo, foram movimentadas nos
portos mais de 320 milhões de toneladas, recorde de movimento portuário
do Brasil". Para enfrentar esse desafio, ele
explicou ter em 85 buscado traçar as diretrizes de uma nova política
portuária, buscando a otimização da eficiência
operacional dos portos e a execução de investimentos novos
de curta maturação, destinados precipuamente ao programa
de exportações.
"A
inauguração pelo presidente José Sarney do porto de
Vila do Conde, no estado do Pará, para a movimentação
de alumínio e seus insumos; a entrega à operação
de novos trechos de cais em Recife, especialmente para conteineres; o início
de construção do terminal de granéis sólidos
em Aratu, na Bahia; o início da construção do terminal
de grãos em Vitória, para escoamento das safras da região
do Cerrado; a instalação de equipamentos de grande capacidade
nos portos do Rio de Janeiro, Santos, Paranaguá e Rio Grande; a
entrega de novo trecho de cais no porto de Itajaí, em Santa Catarina;
a dragagem de 50 milhões de metros cúbicos de material de
assoreamento de canais de acesso e de bacias de evolução,
mantendo-se todos os portos em condições adequadas de acesso,
marcaram com proeminência os investimentos realizados pela Portobrás
em 1985.
"Dentro
de poucos dias estaremos firmando com o Banco Nacional do Desenvolvimento
Econômico e Social um contrato de financiamento para a construção
de 2.200 metros de cais, compreendendo o trecho desde o Valongo até
Paquetá, parte do programa de modernização dos portos
definido pelo eminente presidente José Sarney. Este será
o maior investimento que o porto de Santos recebe nos últimos cinco
anos. São seis modernos berços para melhor atender a economia
nacional, tanto para a exportação como para a importação".
Foi também
lida - como em todos os demais portos nacionais - a ordem-do-dia 0001/86
assinada pelo contra-almirante Hernani Goulart Fortuna, diretor de Portos
e Costas do Ministério da Marinha, exaltando a figura do visconde
de Cairu e a problemática portuária atual:
"É
necessário um esforço governamental de recuperação
do sistema portuário, com o aperfeiçoamento dos terminais
especializados e dos corredores de exportação, bem como da
racionalização da mão-de-obra disponível. A
redução de custos é uma meta que terá de ser
perseguida com obstinação e competência pelos armadores
privados e estatais, em face da alta competitividade do transporte marítimo.
A presença de navios sofisticados exige, obrigatoriamente, instalações
portuárias compatíveis com a maior rapidez nas operações
de carga e descarga. A automação é, assim, indispensável
para que esses objetivos sejam alcançados.
"O
subsídio é uma arma eficiente quando empregada com competência.
Nenhuma nação marítima abre mão de sua utilização.
Se houver sabedoria e patriotismo, o subsídio transforma-se em incentivo
e fator de defesa dos legítimos interesses nacionais. Se houver
paternalismo e desconhecimento, o subsídio é apenas um convite
à ineficiência e à desorganiação de todo
o setor marítimo. Os eixos de comunicação e do progresso
econômico são mais densos no hemisfério Norte e o Brasil,
para interceptá-los, precisa ultrapassar um determinismo geográfico,
superando a tirania da distância".
Além
dos discursos e do descerramento de placa comemorativa, no cais junto ao
armazém 32 - onde está montada uma exposição
de painéis fotográficos e de equipamentos recém-adquiridos,
e no qual a Codesp investiu cerca de Cr$ 5 bilhões na recuperação
(que incluiu reforma de piso, substituição de portas e estruturas
metálicas e modernização das instalações
elétricas e hidráulicas), as autoridades visitaram as instalações
do armazém, encerrando a cerimônia, que incluiu também
um discurso do governador Franco Montoro.
O governador
Franco Montoro foi um dos oradores na cerimônia santista Foto: José
Dias Herrera, publicada com a matéria
Soamar/recepção
- Também em comemoração à data da Abertura
dos Portos, foi realizado no Iate Clube de Santos
um almoço promovido pela Sociedade Amigos da
Marinha (Soamar/SP-Santos), em homenagem ao
ministro da Marinha, Henrique Sabóia, com a participação
de membros da entidade, da diretoria do clube anfitrião e outras
autoridades.
O significado
da comemoração foi destacado pelo membro do conselho da Soamar
santista, Mauro Lúcio Alonso Carneiro, lembrando a contribuição
de Santos e sua gente para o crescimento do setor portuário nacional.
Terminou homenageando o ministro com uma redondilha de Vicente de Carvalho,
o Poeta do Mar, santista de nascimento: "Haverá
queixa mais justa/que a do feliz que se queixa/ai, o bem que menos custa/custa
a saudade que deixa".
No encontro
- que contou com a presença dos titulares das Soamares de Santos,
Felício Agostinho da Purificação Souza, e de São
Paulo, Fernando Nunes Cunha - falou também o capitão dos
portos Sérgio Ribeiro de Vasconcellos sobre a data, enaltecendo
a maritimidade do povo santista e a cooperação da Soamar
local.
E o vice-comodoro
Moura Andrade agradeceu em nome do Iate Clube a presença do ministro
e demais autoridades e convidados, entregando a seguir uma flâmula
da entidade. Após a saudação do prefeito
santista Oswaldo Justo, o ministro Saboya disse que a Marinha não
poderia deixar de estar presente em Santos, no aniversário da Abertura
dos Portos às Nações Amigas, porque a data comemora
um dos primeiros atos da independência do Brasil, e porque Santos,
um dos maiores portos da América Latina, congrega o maior número
de portuários do país.
Em
1986, as festividades principais do 28 de Janeiro resalizaram-se no porto
santista Foto: José
Dias Herrera, publicada com a matéria
Manaus:
museu - A Administração do Porto de Manaus (APM) comemorou
o 28 de Janeiro destacando o primeiro aniversário do Museu do Porto
de Manaus, comemorado naquela data. Nesses 12 meses, mais de seis mil pessoas
visitaram o museu e conheceram um pouco da história do porto de
Manaus e da navegação na Amazônia. O museu situa-se
no boulevard Vivaldo Lima, 61, próximo da Assembléia
Legislativa, em Manaus.
Paranaguá:
medalhas - A Capitania dos Portos do Paraná e a Administração
dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) comemoraram no centro
administrativo desta entidade paranaense os 178 anos da Abertura dos Portos
e o Dia do Portuário. A cerimônia compreendeu o hasteamento
das bandeiras, leitura peo capitão-de-fragata Ronald Cardoso Guimarães
e pronunciamento do titular da APPA, eng. Olivo Zanella.
Na oportunidade,
a Sociedade Brasileira de Heráldica e Medalhística, representada
pelo presidente, comendador Roberto de Aquino Lordy, entregou a várias
personalidades a Medalha D. João VI: a Olivo Zanella, a Dirceu Budant
(diretor da APPA), a Eloy P. Marcondes Albuquerque (presidente da Soamar/Paranaguá),
a Roberto H. Barros (Soamar), capitão-tenente Jorge Alberto Walck;
e ao capitão-de-fragata Ronald Cardoso Guimarães, que também
recebeu a medalha Visconde de Mauá. |