| Morros - sua
toponímia
Olao Rodrigues
SABOÓ
- É o primeiro do conjunto de morros habitados de Santos, que se
estende do Saboó ao José Menino. Saboó fica na mesma
área do bairro que se tornou muito popular devido à localização
do Cemitério da Filosofia, que o povo chama de Cemitério
do Saboó, dizendo-se noutros tempos ser o campo-santo dos humildes,
ao contrário do Paquetá. Certo porém que em nossos
dias o cemitério mais simples do Município é o de
Areia Branca.
Saboó
é um morro de constituição física granítica,
de rala vegetação. Corruptela de Ça-oóg
- de Çab que significa pêlo, cabelo, pena, vegetação
- e Og - que exprime em tupi-guarani tirar, arrancar -, precedido
de "o" para revelar coisa natural e não porque a vegetação
tenha sido arrancada artificialmente ou por mão do homem, o que
quer dizer que Saboó semspre careceu de matas. Assim se definiu
Francisco Martins dos Santos em sua História de Santos. Há
vários morros pelados, como em São Roque e Guarulhos, exemplifiquemos.
FONTANA
- Chama-se Fontana porque, no passado, os donos de suas terras eram os
Fontana. Há 83 anos (N.E.: em 1897,
portanto), Benjamin Fontana, que veio a ser
sogro do comendador Augusto Marinangeli, vice-cônsul da Itália,
dono de chácara e terras no morro que tinha seu sobrenome, quis
abrir um túnel sob o Morro do Fontana para o assentamento de trilhos
para bondes movidos a muares, cuja linha percorria vários pontos
da Cidade.
Para tanto
requeriu permissão à Câmara Municipal, que mandou ouvir
a Comissão de Obras e Viação. Afinal, o túnel
não saiu. Deveria ser construído na garganta do morro, bem
perto de onde se situava a famosa Casa da Pólvora. Todavia, o plano
de Benjamin Fontana deve ser considerado como pioneiro na espécie,
pois só 55 anos após é que se construiu um túnel,
como se sabe, mas sob o morro ao lado, o do Monte Serrate. (...) Faz-se
oportuno registrar que o Hospital da Santa Casa da Misericórdia
permaneceu no sopé do Fontana durante cerca de 100 anos, daí
se transferindo para as instalações atuais, no Jabaquara.
BELMIRO
- O Morro do Belmiro é pequeno morro entre o Fontana e o Pacheco.
Assim denominado porque o proprietário de suas terras, ou da moradia,
chamava-se Belmiro Ribeiro de Morais e Silva, capitalista e comerciante.
Como político, foi vereador à Câmara Municipal e ascendeu
ao posto de prefeito municipal, que exerceu por duas vezes ou de 1910 a
1914 e de 1920 a 1924, como também presidente da Câmara Municipal.
BUFO
- Há munícipes que habitavam e ainda habitam morros que diziam
e dizem da insubsistência do Morro do Bufo, não passando,
segundo eles, de fantasiosa criação popular. Mas o Morro
do Bufo existe, de verdade. É a parte posterior do Morro do Fontana,
quer dizer, um morro com dois nomes. Talvez falem da sua inexistência
por não ser morro cercado de habitações, como quase
todos os demais.
Está
devidamente configurado na Planta do Conjunto dos Morros de Santos, levantada
em 1963 pela Sociedade de Levantamentos Aerofotogramétricos e adotado
pela Prefeitura Municipal, através da Prodesan pela Divisão
de Arquitetura e Urbanismo. Encontra-se, repetimos, na parte posterior
do Morro do Fontana, à saída do Túnel Rubens Ferreira
Martins, direção Centro-Praias, alcançando embaixo
o bairro do Jabaquara, onde se localizam a Rua Prof. Celso Cunha Alves,
Rua Gastão Vidigal, Av. Waldemar Leão e, logo depois, a Rua
Marechal Carmona, entre outras.
PENHA
- Sobretudo o povo humilde, em sua fértil imaginação,
é o maior criador de nomes de bairros, núcleos e vias públicas.
Em Santos há muitos exemplos. Penha é um deles. Não
apenas o núcleo, como a via pública e o próprio morro.
Oficialmente, o bairro denomina-se Valongo. Havia, porém, ou ainda
há, um morro que se fazia distinguir em seu sopé por uma
rocha saliente, rala de vegetação. Foi a conta. Deram ao
morro o nome de Morro da Penha. Faz séculos.
Também
o núcleo ficou conhecido como Penha. Foi instalada, na área,
famosa cervejaria à qual os proprietários deram o nome de
Penha: Companhia Cervejaria Penha. Lembram-se? Havia até uma rua,
antes travessa, com esse nome. Antes, muito antes, por volta de 1800, o
vulgo chamava a pequena rua de Sete Casas. Afinal, por iniciativa
do vereador Xavier Pinheiro, a Rua da Penha passou a denominar-se Rua Marquês
de Herval, em homenagem ao legendário Osório, que visitou
oficialmente Santos no dia 29 de novembro de 1877.
Eis aí,
portanto, a origem do nome de Morro da Penha. Como os seus vizinhos, é
habitado por gente trabalhadora e humilde, correta e pobre. Também
dispõe de água potável, iluminação pública
e particular, telefones e de outros recursos de utilidade e comodidade
pública.
PACHECO
- É um dos morros que se situam na entrada da Cidade. É o
mais aprazível sítio para morar-se em Santos, terra estival
por excelência, desde que as moradias em morros observem os mais
sólidos recursos de segurança e não [sejam]
edificadas
sobre pontos críticos. A denominação provém
de cidadão português de sobrenome Pacheco, que se tornou muito
popular na área. Homem de alguns recursos, dispunha de terras e
chegava a cobrar, por cabeça, aluguel a animais bovino, caprino
e cavalar, que lá pastavam, dizendo-se que também possuía
vendola muito procurada pela gente das redondezas. Tão conhecido
se tornou que, invariavelmente, diziam à guisa de informação:
"Vá por ali pelo Caminho do Pacheco". A área também
se tornou tradicional por nela existir a Chácara do Barreiro.
O Morro do
Pacheco, em todos os tempos, foi habitado por gente humilde, trabalhadora
e honrada. Até prefeito municipal já deu! Sim, o atual chefe
do Executivo, sr. Paulo Gomes Barbosa, residiu com sua família no
Pacheco, dos 2 aos 20 anos. Criou-se, pois, no morro, que sobretudo, neste
período em que ele chefia os públicos negócios do
Município, significa-lhe orgulhoso o honroso título cívico-social.
Muita gente
mora hoje no Pacheco, inclusive um homem de 90 anos, Seu Antônio
Pinto, lúcido, revestido de clareza de inteligência. Gente
boa, repetimos, para servir à qual subsiste a Sociedade Melhoramentos
do Morro do Pacheco.
Bairro
do Jabaquara e seus morros, com o hospital da Santa Casa em primeiro plano
Foto: Secom/PMS
JABAQUARA
- Ladeando o de Nova Cintra, o Morro do Jabaquara também é
histórico. Noutros tempos, de suas fraldas, nascia pequeno rio que
despejava as águas no Estuário depois de cursar o bairro
que se tornou o reduto estrênuo da libertação dos negros
cativos. Pois foi nesse arrabalde que existiu o maior quilombo
de Santos, o do Jabaquara, administrado por Quintino
de Lacerda. Em seu livro Memórias e Viagens, assim o
descreveu o imortal Silva Jardim:
"Vejam esta
série de casinhas, ligadas entre si, num grande barracão,
precedidas de um armazém, que serve fornecimento a todos. Em frente
ao terreiro, o pátio comum, e em banda, um caramanchão para
descanso geral e para festa. Deste lado a planície, que olha a terra,
deixando à margem o mar, que murmura ao longe, nesta planície
estão as terras aforadas onde os pretos trabalham; deste lado a
montanha, enorme, que defende o quilombo contra a cidade, no caso de ataque;
um só carreiro, dificilmente transitável e sempre vigiado
pelos espias do chefe, podia servir de comunicação. Vejam
ali, naquela encosta, uma única habitação anterior
ao quilombo, e a ele cavaleiro; casa de campo de um abolicionista, palmeiras
ao derredor, dando ares daquele quilombo no Leblon, do Seixas, do Rio de
Janeiro, que avista do alto o mar quebrando na areia, em Copacabana, e
de onde vieram flores à Princesa no dia 13 de maio".
Casebres
do Quilombo do Jabaquara ainda existiam em 1900 Foto:
J.Marques Pereira
NOVA CINTRA
- O primitivo nome do morro foi Tachinho, atribuído por seus
moradores, quase todos chacareiros portugueses, que o teriam adotado de
um arrabalde montanhoso, quiçá, de sua terra. Durante a metade
do século passado (N.E.: século
XIX), recebeu a denominação
também portuguesa de Nova Cintra (Sintra), nome igualmente de chão
de Portugal. No passado, Nova Cintra tinha mais atrações
e era mais visitado, pois os santistas e não santistas escolhiam-no
como ponto preferido de passeio.
Quem lhe deu
o nome atual - afirma-se - foi o cidadão português Luís
de Matos, que se tornou figura de evidência na Cidade e um dos líderes,
senão o líder, da colônia lusa, vice-cônsul,
que chegou a ser, de Portugal. Homem de cultura, capitalista e de idéias
adiantadas, foi o codificador do Racionalismo Cristão, movimento
religioso que se criou em Santos e hoje difundido em algumas partes do
mundo.
Entre as atrações
de Nova Cintra distingue-se a Lagoa da Saudade. É logradouro aprazível,
de clima privilegiado, onde hoje residem centenas e centenas de famílias.
Nova Cintra
tornou-se muito popular no passado, por dispor de serviço
de elevadores movidos por tração hidráulica, cuja
estação inicial se localizava no sopé do morro, alcançada
por bondes elétricos da linha nº 16. O funicular de Nova Cintra
funcionava de hora em hora, das 6 às 11 horas e das 14 às
18 horas. Em 1913 seu procurador era Maurício Gazarini e, chefe
do Tráfego, Antônio de Brito. No dia 29 de maio de 1922, exatamente
às 15h30, quando o bondinho transportava 14 passageiros, entre homens,
mulheres e crianças, "despencou do alto da colina e, depois de várias
peripécias, veio chocar de encontro à aba do morro, quase
no sopé da estação inicial". Morreram 2 pessoas e
11 sofreram ferimentos, inclusive um moço que teve a perna amputada.
Faz-se também
oportuno registrar que, no dia 1º de outubro de 1972, em ato presidido
pelo general Clóvis Bandeira Brasil, interventor federal do Município,
foi inaugurado o serviço de ônibus para Nova Cintra, o da
linha nº 61, do Serviço Municipal de Transportes Coletivos
(SMTC), com ponto final na Praça Guadalajara, também criada
pelo interventor federal Clóvis Bandeira Brasil ao assinar decreto
nº 3.7883, de 24 de julho de 1970. Na oportunidade inaugural do logradouro
em homenagem à cidade do México que acolheu carinhosamente
a delegação de futebol do Brasil (que participou do Campeonato
Mundial de Futebol em 1970, no México, tornando-se campeã,
ou tricampeã), discursaram os srs. engenheiro Otávio Cavalheiro
Alves, do SMTC; engenheiro Aníbal Martins Clemente, presidente da
Prodesan; coronel Chaves e Amarante, secretário de Serviços
Públicos do Município; jornalista Antônio Nunes e general
Clóvis Bandeira Brasil.
Em 1979 Nova
Cintra e Marapé foram ligados por via asfaltada que recebeu o nome
de Avenida Brasil, em consonância com o Plano de Interligação
de Morros, havendo nas proximidades da Lagoa da Saudade, em Nova Cintrra,
marco comemorativo do empreendimento, erguido pela Prodesan. Essa importante
obra pública foi iniciada em novembro de 1977, durante a gestão
do prefeito municipal Dr. Antônio Manoel de Carvalho.
Por derradeiro,
vale salientar que Nova Cintra já deu uma Rainha de Carnaval. Foi
Lindalva Lopes, eleita Rainha do Carnaval Oficial de Santos em 1969.
Lagoa
da Saudade, no Morro da Nova Cintra, em 1998 Foto: Tadeu
Nascimento (Secom/PMS)
MARAPÉ
- Morro que se estende entre o Santa Teresinha e o Nova Cintra, no bairro
do mesmo nome. De conformidade com o historiador e estudioso da língua
Tupi, o saudoso Francisco Martins dos Santos, em História de
Santos, Marapé é evolução de Perapé
(depois Parapé como figura em escrituras antigas e depois
ainda Marapé). Decorre de Pera (mar) e Pé
(caminho), significando Caminho do Mar. Alusão ao primeiro
caminho dos indígenas, único que existiu durante séculos,
comunicando a parte da ilha que deita para o Estuário com a parte
que deita para o mar grosso.
O caminho do
Marapé era o mesmo aberto por Pascoal Fernandes e Domingues Pires,
os primeiros povoadores de Santos, que nada mais fizeram do que melhorar
o que já subsistia, aberto pelos aborígines, para que por
ele se fizessem as comunicações com a Vila de São
Vicente. Trata-se, portanto, o Marapé do único caminho que,
no passado, havia para a ligação com São Vicente através
do Morro do Embaré, já no vizinho município.
No final da
Rua Dr. Carvalho de Mendonça alcança-se o Morro do Marapé.
Em novembro de 1977, o prefeito municipal, Dr. Antônio Manoel de
Carvalho, iniciou simbolicamente as obras de ligação do Morro
do Marapé e Morro de Nova Cintra, mandando construir rodovia asfaltada,
vinculando os dois promontórios - a Avenida Brasil - como série
inicial do Plano de Interligação dos Morros de Santos. Em
Nova Cintra, junto à Lagoa da Saudade, foi fincado marco comemorativo
dessa obra que ligou os dois morros santistas.
O prefeito
Antônio Manoel de Carvalho (à esquerda) e diretores da Prodesan (inclusive
o presidente, engenheiro José Lopes dos Santos Filho, ao centro
na foto, com terno) inspecionam as obras da Avenida Brasil na subida do
Morro do Marapé, em junho de 1978 Foto publicada
no jornal A Tribuna em 27/6/1978
SANTA TERESINHA
- Um só morro com dois nomes: Santa Teresinha e José Menino.
Constituindo-se em sociedade, Cláudio Pires Castanho Doneux, Engiberto
T.H. Van Wee, Júlio Kneffer, Rosa Marsaiolli e Luís Marsaiolli
adquiriram 400.000 m² do Morro de Santa Teresinha para empreendimentos
imobiliários.
Revestindo
de calçamento uma ala do Morro, reconstruíram a Capela de
Santa Teresinha, ergueram amplo cassino, de dois pavimentos, com mirante
no andar superior, onde houve reuniões sociais e artísticas
durante a noite, com jantares, e o transporte também servido por
ônibus especiais. Era cobrado pedágio, descontado na consumação
no Bar do Planalto.
Mais tarde,
o cassino foi adquirido por Édison Arantes do Nascimento, Pelé,
que pretende nova construção, quiçá residencial,
quiçá comercial, e há plano geral para erguimento
de residências unilaterais de fina concepção arquitetônica.
Primitivamente
chamou-se Morro do Cutupé, inclusive o Morro do José Menino
que, como dissemos, é a mesma área em conjunto do Morro de
Santa Teresinha, por cujas encostas caminharam figuras ilutres, como Martim
Afonso, Braz Cubas, José Adorono, Francisco Adorno, Pascoal Fernandes,
Luís Pero de Góis e outros. Séculos depois, já
em nosso tempo, o morro passou à propriedade de Francisco Loureiro,
que ergueu capela em honra de Santa Teresinha do Menino Jesus e o povo
passou a denomnar aquele pedaço de morro do José Menino de
Morro do Loureiro. Seus atuais proprietários adquiriram o acervo
de Antônio Ferreira da Silva, mais conhecido por Nhonhõ.
Praias
santistas, vistas do Morro do José Menino em 1998 Foto: Tadeu
Nascimento (Secom/PMS)
MORRO DO
JOSÉ MENINO - Como o seu vizinho Santa Teresinha, situado ao
lado, na mesma elevação, o José Menino assinala o
extremo do território de Santos, tendo ao lado o Morro do Embaré,
ou o Itararé, popularmente designado, já sob jurisdição
de São Vicente. Como referimos, é o mais alto de Santos:
220 metros de altitude. Antigo Cutupé, que é forma
evoluída de Cat-pé, de Catu (bom) e Pé
(caminho), significando Morro do Bom Caminho. Seu acervo de terras
pertenceria à Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de
Santos.
MONTE SERRATE
- Morro turístico. Há a Rua Monsenhor
Moreira, pavimentada, em curso percurso se ostentam os nichos da Via Sacra
construídos por iniciativa de A Tribuna, por meio de subscrição
pública. Ainda se destacam os elevadores movidos pelo sistema funicular,
em cuja estação, no Planalto, existe restaurante e bar no
pavimento térreo, enquanto no pavimento superior, qual mirante,
se avistam parte da Cidade, porto e Vicente de Carvalho.
Mais adiante,
o Santuário de Nossa Senhora do Monte Serrate, mandado construir
em 1602, como simples capela, por D. Francisco de Souza, governador geral
do Brasil, que lhe deu imagem da Santa do Morro e confiou sua custódia
e manutenção aos Beneditinos. Ao lado do templo, o salão
de ex-votos, em que se expõem os mais curiosos objetos como resgate
de promessas por graças alcançadas de Nossa Senhora do Monte
Serrate.
Nossa Senhora
do Monte Serrate é a Padroeira de Santos, coroada a 8 de setembro
de 1955, oficializada por lei municipal sancionada em 1954 pelo prefeito
municipal Dr. Antônio Feliciano. Durante os festejos da Padroeira,
a 8 de setembro, o movimento de fiéis ao morro é inusitado,
tanto pelos elevadores como pelo caminho arruado.
Antigamente,
o edifício do Cassino Elevadores Monte Serrate S/A era exclusivamente
cassino com funcionamento todas as noites. Segundo a história, quando
Santos, indefesa, foi assaltada pelos piratas holandeses de Van Spilbergen,
a população subiu o Monte Serrrate, principalmente mulheres
e crianças, refugiando-se junto à capelinha de Nossa Senhora.
Ouvindo o clamor público, a Rainha de Santos colocou em fuga os
invasores que tentavam alcançar o Planalto, fazendo desmoronar parte
do morro, soterrando os perseguidores e pondo em fuga, espavoridos, os
que ainda se achavam na baixada. Foi o primeiro e grande milagre da Senhora
do Monte, protegendo e salvando a população de Santos daquela
época.
Prédio
do antigo cassino, no alto do Monte Serrat Foto: Secom/Prefeitura
Municipal de Santos
SÃO
BENTO - Como o de Nova Cintra, o de São Bento é o morro
mais habitado. Tem essa denominação porque em sua subida
se ergue desde 1650 o Mosteiro de São Bento, construído sobre
a Capela de N. S. do Desterro. O Mosteiro de São Bento guarda e
mantém o Santuário de Nossa Senhora do Monte Serrate, construído
em 1602, por ordem de D. Francisco de Souza, governador geral do Brasil.
Noutro século,
na área fronteira ao mosteiro havia jardim emoldurando fonte de
água límpida e prodigiosa. Muita gente importante visitou
o tradicional morro. Até o imperador D. Pedro II. Ele e a imperatriz
Teresa Cristina. Foi no dia 20 de fevereiro de 1846, quando o soberano
bebeu dois copos d'água da famosa fonte. Ainda hoje existe uma rocha
no local sobre a qual há placa com esta inscrição:
"D. P.II - 1846".
Quando redigíamos
este capítulo, a Prefeitura Municipal, por meio da Prodesan, procedia
às obras e urbanização da praça defronte ao
Mosteiro de São Bento, que receberá também especial
iluminação a vapor de mercúrio corrigido. Projeto
idealizado pelo arquiteto Aníbal Martins Clemente e aprovado pelo
prefeito Paulo Gomes Barbosa. O plano inclui ainda melhorias na escadaria
de acesso ao Mosteiro de São Bento.
Uma vez que
tentamos registrar episódios ligados aos primórdios do Morro
São Bento, não devemos olvidar a lenda que repercutiu em
outros centros, segundo a qual durante uma das invasões de piratas
estrangeiros ao povoado, decerto os holandeses corsários comandados
por Van Spilbergen, os padres da Capela do Desterro, atual Mosteiro, abriram
subterrâneo até o Monte Serrate, onde guardaram alfaias de
ouro, moedas e outros objetos de valor, formando verdadeira fortuna, também
se refugiando.
Como dissemos,
o Morro São Bento é dos mais movimentados. Dispõe
de todos os recursos de comodidade pública, inclusive Sociedade
de Melhoramentos. Já foi morro carnavalesco. Sediou dois ranchos:
o Rancho Carnavalesco Boêmios e o Rancho Carnavalesco Unidos do Morro
São Bento.
BOA VISTA
-
Pouca gente sabe, mas temos o Morro da Boa Vista, na área da entrada
da cidade. Morrinho entre o Pacheco e Penha, assinalado na Planta de Levantamento
Aerofotogramétrico, pelo qual se orienta a Prefeitura Municipal
por meio da Podesan.
Sua origem
é vulgar, não causando nenhuma curiosidae. Como o pequeno
morro ostenta panorama admirável, com o Estuário à
sua frente, logo o batizaram de "bela vista". No caso, todos os morros
de Santos deveriam chamar-se Bela Vista ou Boa Vista...
Bairro
e sopé do morro da Caneleira Foto: Secom/PMS
OUTROS
MORROS - A planta dos Morros de Santos, elaborada em 1963 pela Sociedade
de Levantamentos aerofotogramétricos e adotada pela Prefeitura Municipal
de Santos e seguida por Progresso e Desenvolvimento de Santos (Prodesan
S.A.), assinala também os morros de Caneleira, Santa Maria e Chico
de Paula, nos respectivos bairros. |