HISTÓRIAS
E LENDAS DE SANTOS - ESTRADAS A Rodovia
dos Contrastes

RODOVIA
DOS IMIGRANTES A UM PASSO DA SUA INAUGURAÇÃO
(*)
Com
a presença do Presidente Ernesto Geisel e o Ministro dos Transportes
Gal Dirceu de Araújo Nogueira será inaugurada a Rodovia dos
Imigrantes, no dia 28 de junho. A rodovia tem 67 km da Baixada ao Planalto,
sendo 12,5 km de serra. A velocidade máxima permitida, inclusive
na parte da serra, será de 110 km/h. A Imigrantes tem seu percurso
apenas ascendente, com início em São Vicente, indo acabar
no bairro do Ipiranga, em São Paulo
A estrada compõe-se de 20
viadutos e 11 túneis, sendo que o maior viaduto tem 1.900 m de comprimento
por 106 m de altura, e o maior túnel 1.210 m, necessitando assim
de ar refrigerado forçado, incêndio e iluminação,
que aliás são perfeitos, segundo afirmação
do engenheiro José Eduardo, um dos responsáveis pela construção
da obra. No meio do túnel há uma janela que dá acesso
direto a um pátio onde haverá todo tipo de socorro. Esse
túnel é equipado também com um circuito de TV que
estará ligado as 24 hs. do dia.
A Rodovia possui um sistema de SOS
para a parte mecânica; guinchos; incêndios, médico e
com instalações de aparelhos telefônicos a cada 500
mts. "É uma rodovia super equipada - acrescentou o engenheiro José
Eduardo -, pois é a primeira do mundo".
"O tempo que levará entre
um pedido de socorro e seu atendimento será aproximadamente 25 minutos,
afirmou Bene Braga, Relações Públicas da Dersa. Os
funcionários não operam com dinheiro: por exemplo, se um
carro parar por falta de gasolina, um guincho o levará até
onde seu proprietário possa obtê-la e dar, assim, continuidade
à sua viagem.
O cm² da Rodovia dos Imigrantes
custou aos cofres do Governo Federal 100 mil cruzeiros e sua construção
foi planejada para 2 anos, o que será completada em junho próximo.
Jorge Lemos, assessor de Imprensa
da Dersa, acrescenta que estão sendo construiídos dois postos
da Petrobrás nos kms 15 e 60, que serão entregues aos usuários
- juntamente ocm a estrada.
A visita foi uma concessão
da Dersa, que permitiu o teste com um ônibus da Companhia Ultra,
dirigido por um dos proprietários da mesma, tendo sido até
agora testado somente com micro-ônibus.
Jorge Lemos e Bene Braga disseram:
"No caso de acidente, o problema é mais humano do que mecânico,
pois há falta de respeito e má formação por
parte dos motoristas". (Da Enviada Especial: Léa Silvia Geiger).
CUSTOS
E MISÉRIAS: OS CONTRASTES DA IMIGRANTES (*)
Os
milhões gastos na construção da Imigrantes - cada
cm² custou Cr$ 100.000,00 - e a condição de vida dos
favelados que residem ao final da rodovia, são os extremos opostos
característicos da gigantesca obra.
A visita ao trecho da descida da
serra, na rodovia dos Imigrantes, foi marcada para as oito horas; às
oito e quarenta e cinco minutos, o ônibus partiu. Descontando os
convidados que deixaram de comparecer, a maioria das pessoas do grupo eram
jornalistas e repórtes e fotógrafos. Sanada uma das principais
dúvidas - que caminho seguir? - o ônibus iniciou a marcha.
À saída da cidade,
enquanto alguns tentavam perceber a sserra através da neblina, outros
comentavam um pretenso churrasco que seria oferecido ao grupo. Poucos,
entre os participantes, demonstravam estar fazendo a viagem pela primeira
vez. A maioria comentava a rodovia com uma familiaridade que parecia ter
sido talhada por uma convivencia bastante antiga.
Entre solavancos e freqüentes
brecadas, o ônibus conseguiu escalar a serra. A esta altura, as repórteres
da Facos ferraram no sono. Um jovem, q ue falou durante toda a viagem,
não caracterizava nenhuma personalidade importante, mas o cigarrinho
marrom, fininho e comprido, que ostentava, insistia em afirmar o contrário.
Entre bocejos e baforadas de cigarro, a viagem transcorreu tranqüila.
À chegada ao pátio
do Centro de Controle Operacional, iniciou-se a "operação
pé-na-lama" - êta vida de repórter... ter que atolar
o pé porque o dito Centro se protege ilhado por lama, isto é
o fim!!!
O grupo foi submetido a um cafezinho
e a uma enxurrada provocada pela verbosidade do Assessor de Imprensa do
Centro, quando apresentou o painel de controle. Segundo ele, a tecnologia
empregada na construção da rodovia "é caso ímpar
no mundo, em termos de auto-estrada".
Diante do colosso tecnológico,
o Assessor continuava: "O S.O.S. será prestado gratuitamente a qualquer
usuário da rodovia". Alguém, dirigindo-se a um colega de
grupo, responde: "Não é para menos, fomos nós quem
pagamos tudo isso".
Ciente de estar revelando ao grupo
uma das facetas mais humanitárias da empresa, disse: "Estamos construindo
um local que será cedido gratuitamente aos vendedores de siri".
À descida da serra, um engenheiro
que acompanhou o grupo afirmou que (com relação ao remendo
ecológico que eles estão fazendo): "estas mudas significam
que estamos reimplantando overde". Entre comparações de muro
de sustentação com pirâmide - devido ao "gigantismo
da obra"; ao desmatamento descontrolado a que submeteram a serra. O grupo
viu, esparramados durante o trajeto, adolescentes trabalhando na obra.
Ao final da jornada - depois de adiado a cada viaduto percorrido - quando
o ônibus trafegava por uma avenida que atravessa uma favela da Cidade
Náutica, alguém comentou: "Que impacto sentirá o usuário
da rodovia, ao deparar com estas favelas!". (Do Enviado Especial da
Agência Facos: Amaury Araujo dos Santos).
(*) Matérias
datilografadas e publicadas no boletim mimeografado Agência Facos,
da Faculdade de Comunicação de Santos, pelos alunos do curso
superior de Jornalismo. Edição 57 - Ano III -, Santos, 11
de maio de 1976.
 Capa do
boletim Agência Facos de 11 de maio de 1976
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