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HISTÓRIAS E LENDAS DE SANTOS - PIONEIROS DO AR
Nas asas da Panair...

Os estadunidenses se destacaram na aviação sulamericana com a Panair:

Propaganda/mapa de rotas da Panair: Santos era servida por dois vôos semanais
Propaganda/mapa de rotas da Panair: Santos era servida por dois vôos semanais

Considerado de mau gosto, quase nem chegou a ser adotado o nome Nyrba do Brasil, para a subsidiária da New York, Rio and Buenos Aires Line Inc. (Nyrba), que começou a operar em 1929: com a crise econômica de 1929, ela foi absorvida pela Pan American e, em 1º de outubro de 1930, esse nome foi mudado para Panair do Brasil S.A., derivado do endereço telegráfico da Pan American Airways. A empresa foi formalmente constituída em 21/12/1930. 

Já em 1930, a Nyrba realizava, com meia dúzia de aviões de linha, a ligação entre as cidades componentes de seu nome, fazendo escalas intermediárias em cidades menores situadas ao longo do trajeto. No dia 8/5/1930, era batizado, em cerimônia realizada na Ponta da Praia, um novo hidroavião dessa companhia, de prefixo P-BDAE e nome Santos, que realizou diversos vôos de demonstração em frente à Fortaleza da Barra Grande, junto à Ponta da Praia, em Santos, para o deleite de um grande número de curiosos e convidados.

A famosa empresa aérea, que operou no País até 10/2/1965 (quando foi decretada sua falência e teve suas linhas aéreas cassadas e transferidas à Varig, numa polêmica decisão governamental), logo estabeleceu Santos como uma de suas escalas regulares na rota Rio de Janeiro/Buenos Aires, parte de uma linha que circundava toda a América do Sul e chegava aos Estados Unidos.

Avião Sikorsky S-38 da Panair
Avião Sikorsky S-38 da Panair

Em 28/11/1930, a empresa transportou correspondência de Belém para Santos, com avião de matrícula brasileira, mas com tripulação estadunidense. Os escritórios da administração e de operações da Panair do Brasil eram no Rio de Janeiro, mas a oficina de manutenção era em Belém do Pará. Em 2/3/1931, a empresa inaugurou seu primeiro serviço para passageiros, entre Belém e Santos, uma vez por semana, com uma frota de três aviões Sikorsky S-38 e cinco Commodore - ampliada nos três meses seguintes para cinco Sikorsky S-38 e seis Commodore. A viagem entre Belém e Rio de Janeiro, pela costa, era efetuada em três dias.

Hidroavião Commodore, também usado pela Panair
Hidroavião Commodore, também usado pela Panair

Em 11/1931, a linha foi estendida de Santos até Buenos Aires. A rota Belém-Buenos Aires era coberta em cinco dias, com pernoites em Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Em 10/1933, a Panair do Brasil inaugurou a primeira linha entre Belém e Manaus, com os Sikorsky S-38, e ainda nesse ano iniciou o serviço de carga aérea (Expresso - pequenas cargas) que se estendeu de Manaus a Santos.

Em 3/1934, começou a operar a segunda freqüência ao longo da costa brasileira, e em 1935 os tripulantes estadunidenses entregaram o comando dos aviões a brasileiros, ao mesmo tempo em que começaram os estudos para a operação com aviões de pouso em terra, que permitissem estender as linhas para o interior do Brasil. 

Em 1943, colocou em tráfego nas linhas amazônicas os hidroaviões Catalina, além de iniciar os vôos noturnos ao longo da costa do Brasil (não só de transporte comercial, como no serviço de patrulhamento da costa contra submarinos inimigos), para atender aos problemas gerados pela Segunda Guerra Mundial.

As atividades mundiais da Pan American World Airways (Pan Am) foram encerradas em 4 de dezembro de 1991.

Consolidated Commodore, hidroavião para 18 passageiros usado em 1929 pela Nyrba na linha sulamericana

Consolidated Commodore, hidroavião para 18 passageiros usado em 1929
pela Nyrba na linha sulamericana

Uma acidentada viagem inaugural

Em 24/1/1930, pelo decreto 19.079, a Nyrba do Brasil foi autorizada a efetuar tráfego aéreo no País. Nessa mesma data, inaugurou sua primeira linha aérea, ligando Rio de Janeiro e Fortaleza com escalas em Campos, Vitória, Caravelas, Ilhéus, Salvador, Aracaju, Maceió, Recife e Natal, numa viagem de 34h50 em cada sentido da rota, incluindo o pernoite em Salvador.

Em 4/2/1930, a Direção Geral dos Correios autorizou a empresa a transportar malas postais aéreas no Brasil e de escalas brasileiras para o exterior (via Nyrba Inc.). A linha aérea deveria ligar Rio Grande a Belém do Pará, numa viagem de 98 horas e 10 minutos (incluindo estadias nos portos de escala e pernoites em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza).

O serviço se interligava com a linha internacional do Chile aos Estados Unidos, estabelecendo-se que a primeira viagem internacional deveria começar em Santiago em 18/2/1930 e alcançar New York em 26/2. Nessa viagem, deveriam ser usados dois aviões em cada um dos oito setores em que havia sido dividida a rota - um dos aparelhos levaria a mala postal e o outro o acompanharia como elemento de socorro, para que a viagem não fosse interrompida se surgisse uma emergência.

Na data prevista, partiram da capital chilena os trimotores Ford Santiago e Salta, com destino a Buenos Aires. Na madrugada do dia 19/2, alçaram vôo do Rio da Prata os hidroaviões Buenos Aires e Miami, que deveriam ser revezados em Porto Alegre pelos hidroaviões Rio de Janeiro e Tampa.

No trecho Porto Alegre/Rio de Janeiro, entretanto, surgiram desagradáveis surpresas. No momento do transbordo da mala postal para o avião Commodore Rio de Janeiro, neste foi verificado um vazamento de óleo que levaria no mínimo duas horas para corrigir. Esse incidente obrigou a transferência da mala postal e dois passageiros embarcados em Porto Alegre para o Sikorsky S-38B que deveria funcionar no trecho como aeronave de reserva. Após o carregamento da mala postal, bastante volumosa nessa primeira viagem, mal sobrava espaço na cabine do Tampa para os dois passageiros, mas ainda assim ele levantou vôo às 14h20 numa tentativa de completar no mesmo dia o percurso de Buenos Aires ao Rio de Janeiro.

A cerca de 170 km ao Norte de Florianópolis, já envolto pela escuridão noturna, o Tampa foi surpreendido por violento temporal e, quando alcançou Santos, às 21h00, a falta de visibilidade causada por forte chuva obrigou-o a efetuar um pouso de emergência no mar. Ao ser feito o pouso, a aeronave sofreu o embate de várias ondas e ficou bastante avariada com o impacto na praia, onde desembarcaram os seus ocupantes, entre eles o presidente da Nyrba, Ralph O'Neil.

Novos incidentes - Nessa mesma noite, O'Neil pediu assistência à organização no Rio de Janeiro. Na madrugada seguinte, quando se aprestava para enviar do Rio de Janeiro a Santos um avião, para receber a mala postal e prosseguir o seu transporte com destino a Salvador, a empresa encontrou a aeronave disponível detida por autoridades, em virtude de uma ação judicial movida pela empresa concorrente ETA & Cia. Ltda.

Um plano audacioso foi logo concebido: a aeronave Bahia, que deveria cobrir o setor entre Salvador e Fortaleza, foi conduzida à Baia da Guanabara, com ordem para pousar no lado de Niterói, fora da jurisdição da autoridade encarregada da ação movida pela ETA & Cia. O próprio presidente da Nyrba se incumbiu de transportar ao Bahia a mala postal que ficara retida em Santos.

Na manhã de 21/2, depois de uma noite de viagem através das trilhas que faziam a vez das estradas de rodagem naquele tempo, Ralph O'Neil chegou ao Rio de Janeiro e, nesse mesmo dia, após rápido pouso, o Bahia reiniciou a viagem para o Norte, tendo chegado a mala postal aos Estados Unidos no dia 27, com apenas algumas horas de atraso.

Em 1931, a linha da Pan Air para Santos era estendida até Buenos Aires, fato noticiado assim pelo jornal paulistano Folha da Manhã, em 29 de outubro de 1931, página 6 (ortografia atualizada nesta transcrição):

Imagem: reprodução da notícia original

Incremento do serviço aéreo da Panair

Prolongamento da linha Pará-Santos até o Rio da Prata

Conforme estava sendo esperado, a Panair determinou, enfim, a data do prolongamento da sua linha Pará-Santos até Buenos Aires para os primeiros dias do próximo mês de novembro.

Assim, o hidroavião dessa empresa que deixará Belém do Pará, de acordo com o itinerário habitual, amanhã, chegando ao Rio de Janeiro na tarde de domingo, 1º de novembro, prosseguirá na manhã seguinte para Santos, Paranaguá, Florianópolis e Porto Alegre, e na terça-feira para Rio Grande, Montevidéu e Buenos Aires.

No domingo seguinte 8 de novembro, deixará Buenos Aires o primeiro hidroavião da nova extensão, com rumo Norte, alcançando o Rio de Janeiro na tarde de segunda-feira, a fim de partir, como até agora, na manhã de terça-feira para o Norte até Belém do Pará, onde a linha Panair tem o seu ponto de tráfego mútuo com os aparelhos da Pan American Airways System, que seguem para as Guianas, Antilhas e Estados Unidos, com ramais para a Venezuela, Colômbia, Canal do Panamá e todos os países da América Central e México.

Pelo prolongamento a ser inaugurado, a Panair fará também tráfego mútuo, em Buenos Aires, com os aviões da Panagra, que do Rio da Prata vão ao Chile, Peru, Equador, Colômbia e Panamá.

Completa-se, destarte, a ligação aérea direta, do Brasil com todos os países das três Américas, exceção feita de apenas dois: Paraguai e Bolívia, que ainda não foram incluídos nos itinerários da Pan American Airways System.

Os aparelhos que iniciarão o novo serviço são do mesmo tipo Commodore para 22 passageiros e equipados com rádio, que estão sendo utilizados com tanto êxito, atualmente.

Além de passageiros e malas postais, a Panair está organizando ainda um serviço brasileiro e internacional de encomendas aéreas, destinado a ativar grandemente o ritmo dos nossos negócios com as outras praças nacionais e estrangeiras.


PanAir do Brasil estende sua linha de Santos até Buenos Aires
Anúncio publicado no jornal paulistano Folha da Manhã de 30 de outubro de 1931 - página 5

Pan Am to South America 1935 - Roteiro por algumas das cidades do Caribe, da América Central e do Sul, em filme promovido pelo U.S. Office of the Coordinator of Inter-American Affairs para promover o bom relacionamento com os países sul-americanos às vésperas da 2ª Guerra Mundial. Santos é citado no ponto 19'38"30 do filme, que é interrompido pouco depois para mostrar a conexão com a linha da Pan Am para os Andes

Vídeo postado no YouTube por travelfilmarchive, em 29 de maio de 2008

Avião Clipper da PanAm voando pela América do Sul até Buenos Aires, na década de 30: Santos é citada num mapa de vôo no sétimo minuto do filme

Vídeo postado no YouTube por Tiranloblanc, em 29 de maio de 2010

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