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Olao Rodrigues
A Avenida Ana
Costa começou com um crime. Crime de morte, que abalou o provincianíssimo burgo pela categoria econômico-social de seus
figurantes.
Na manhã de 8 de maio de 1889, Casimiro Alberto Matias Costa
acompanhava seus trabalhadores, que abriam caminho para ligar Vila Mathias ao
Gonzaga. A artéria trabalhada teria o nome de Ana Costa, sua esposa. Por volta de 10 horas, foi assediado pelos irmãos
António Batista de Lima e Ovídio de Lima, também donos de extensas glebas e, por herança, do Morro do
Lima.
Alegando que aquela faixa de terra lhes pertencia, os irmãos Lima
discutiram fortemente com Matias Costa. Houve um tiro de revólver e Matias Costa foi alvejado na testa, sofrendo ferimento
letal. Devemos lembrar que o Morro do Lima, a que nos referimos, ficava até há pouco defronte da Praça de Esportes da
Associação Atlética Portuguesa, já arrasado.
Matias Costa veio a falecer duas horas depois. Houve reboliço pela
cidadezinha de então. António e Olívio responderam a julgamento pelo Tribunal do Júri, no prédio da Cadeia
Velha, na Praça dos Andradas, defendidos pelo Dr. Cesé Cesário Bastos e acusados, particularmente
pela família Matias Costa, pelo Dr. Martim Francisco Ribeiro de Andrada (3º), jornalista e advogado, neto de Martim Francisco, o
glorioso vulto da Tríade Andradina.
O outro, também advogado e parlamentar, foi - a nosso ver - o
maior chefe político de Santos de todos os tempos. Dois privilegiados talentos oratórios em cotejo. Gente por todos os cantos,
apesar de mais de 24 horas de julgamento. Houve falhas no processo, tanto que não ficou caracterizada a autoria do disparo.
Afinal, os irmãos Lima foram absolvidos por unanimidade e imediatamente soltos, segundo a processualística penal.

Início da Av. Ana Costa, na Vila Mathias, vendo-se ao fundo o
Morro do Lima, no início do séc. XX
Foto: reprodução do raro Calendário de 1979 editado pela
Prodesan - Progresso e Desenvolvimento de Santos S.A., com o tema
Imagens Antigas e Atuais
Abre-se a Avenida Ana Costa - A Avenida Ana Costa continuou
a ser aberta, de ponta a ponta. Tinha, na Planta Geral, o nº 298, e foi oficializada pela Lei nº 647, de 16 de fevereiro de
1921, que entrou em vigor a 1º de janeiro de 1922.
Quem foi Ana Costa?
Pouca gente sabe, mesmo os que há anos moram nessa artéria.
D. Ana Costa era fluminense de Maricá, onde nasceu a 22 de
setembro de 1857, filha de José Paulo de Azevedo Sodré e D. Cândida Ribeiro de Almeida. Por parte materna, pertencia à família
Ribeiro de Almeida, de renome nacional. Pelo lado paterno, fazia parte da família Azevedo Sodré, muito conhecida em Santos e São
Paulo. Há até uma via pública, no Gonzaga, com o nome Azevedo Sodré, que era José Paulo de Azevedo Sodré, seu irmão, vereador e
intendente de Santos.
Ela foi educada no Colégio da Imaculada Conceição, no Rio de
Janeiro. Casou-se pela primeira vez com Casimiro Alberto Matias da Costa, de cujo matrimônio teve seis filhos. Em segundas
núpcias, com José Bloem, funcionário da firma Hard, Rand & Cia.
Outro fato excepcional e pouco conhecido: a Avenida Ana Costa foi
a primeira via pública de Santos a receber iluminação pública elétrica. Esse serviço foi executado por etapas. No dia 15 de
agosto de 1903, a Companhia de Ferro Carril Santista iluminou pela primeira vez, pelo sistema elétrico, o trecho de suas
oficinas, em Vila Mathias, até a esquina da Rua Carvalho de Mendonça, completando logo depois toda a
distribuição de luz elétrica.
Como disseram os jornais da época, os moradores da Ana Costa
saíram à rua e não cabiam em si de contentamento pela grande melhoria que se lhes proporcionava. As lâmpadas foram colocadas à
distância de 50 em 50 metros. A segunda artéria a receber a iluminação elétrica foi a Avenida Conselheiro
Nébias, na noite de 14 de setembro de 1903.

Avenida Ana Costa em 1950, justificando o apelido de Avenida
das Palmeiras
Foto: Poliantéia Santista, de Fernando Martins Lichti, vol.
III, Gráfica Prodesan, Santos/SP, 1996
Avenida das Palmeiras - Num crescendo natural
técnico-urbano, a Avenida das Palmeiras - palmeiras imperiais - foi ganhando recursos gerais exigidos pela modernização
dos costumes e eis plenamente adaptada ao Plano Físico do Município, que é habitar, trabalhar, circular, recrear e proporcionar
aos seus moradores o ambiente urbano que lhes permitia usufruir vida equilibrada e social e progressivamente sadia. (...)
E ainda mais: mantém o maior monumento do Município, o dos
Irmãos Andradas, construído pela Companhia Construtora de Santos e inaugurado a 7 de setembro de 1922.
(...)

Avenida Ana Costa em 1922, vista da praia para o Centro, junto à
Praça da Independência
Foto reproduzida do boletim empresarial Informativo Cerqueira,
de novembro de 1978
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