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Foto cedida pelo
pesquisador norte-americano Allen Morrison, de New York/EUA
Acima, imagem de um piquenique na linha interurbana, em 1923. Além de
ser a segunda menor cidade brasileira a contar com linha de bondes elétricos (depois de Bom Sucesso), Piraju - distante 340 km
da capital paulista, perto da fronteira com o Paraná, teve uma das poucas autênticas linhas interurbanas de bondes do País.
Conta o pesquisador estadunidense
Allen Morrison, de New York, que a linha da Estrada de Ferro Sorocabana passa através
de Manduri, 20 km ao Norte de Piraju, e em 1906 um ramal ferroviário foi aberto de Manduri até um ponto situado 3 km ao Norte de
Piraju, conhecido como Vila Tibiriçá.

Foto cedida pelo
pesquisador norte-americano Allen Morrison, de New York/EUA
Esse Ramal de Piraju não prosseguiu até o centro da cidade por causa da
presença de um profundo vale ao longo do Rio Paranapanema. A Caisse Générale de Prêts Fonciers et Industriels, uma organização
francesa, reuniu fundos para construir uma linha de bondes elétricos da estação ferroviária ao centro da cidade e servindo à
região cafeeira próxima.
A firma Bromberg, Hacker & Cia., agente paulista da empresa
alemã Siemens-Schuckertwerke, instalou uma usina de força em Boa Vista, 15 km ao Sul da cidade, e em 1912 a empresa Eduardo
Guinle & Cia., do Rio de Janeiro (agente para a norte-americana General Electric), encomendou veículos abertos para passageiros
e bondes de cargas à fábrica J. G. Brill, da Philadelphia/EUA.

Foto cedida pelo
pesquisador norte-americano Allen Morrison, de New York/EUA
O bonde saía da estação ferroviária, margeava o Rio Paranapanema,
cruzando-o por uma ponte de aço, e percorria a rua principal de Piraju até o terminal de cargas no lado Sul da cidade. A linha
interurbana completava a local e seguia pelo campo aberto até Sarutaiá, 24 km a Sudoeste, atendendo às necessidades das fazendas
de café. O Tramway Eléctrico Municipal de Piraju começou a operar em 1/8 e foi inaugurado formalmente em 15/8/1915, usando
bitola métrica.
A passagem sobre o Rio Paranapanema foi construída pela
Anglo-Brazilian Iron Company, sob a supervisão de Kermit Roosevelt, segundo irmão do ex-presidente estadunidense Theodore
Roosevelt - que visitou seu irmão em Piraju em 28/10/1913.

Foto cedida pelo
pesquisador norte-americano Allen Morrison, de New York/EUA
Em 1917, o ativo do sistema compreendia sete carros de passageiros e
oito bondes de carga. A linha foi vendida em 1921 ao industrial local Marcos Rolim, e para a Companhia Luz e Força Santa Cruz em
1925.
Tanto os serviços de passageiros como os de carga estavam
crescendo bastante e esta empresa planejou adquirir veículos adicionais e estender a linha para Carlópolis, no Paraná - o que
teria criado a primeira linha interestadual de bondes elétricos no Brasil. Com a construção de uma nova barragem e usina
hidrelétrica no Rio Paranapanema, os bondes foram deslocados para uma nova passagem no topo das comportas.

Foto cedida pelo
pesquisador norte-americano Allen Morrison, de New York/EUA
Porém, a empresa Santa Cruz mudou seus planos e, em 1931, começou a fechar
os serviços de bondes - embora os registros oficiais indiquem a extinção do serviço em 2/8/1937. De qualquer forma, em 1931 ou
1937, foi o mais antigo fechamento de uma linha de bondes elétricos no Brasil.
Parte dos veículos foi vendida a São Carlos e Votorantim. O Ramal de Piraju foi fechado em
1965, sendo os trilhos removidos, e nas décadas seguintes o que restou foi uma estação ferroviária e um terminal de bondes
desertos, no meio do campo. O abrigo de bondes em Piraju foi substituído por uma revendedora de automóveis e o depósito de
cargas do sistema, na Rua Major Mariano, foi transformado na estação rodoviária interestadual da cidade.
A viagem pelos trilhos do Brasil
continua...
As fotos desta página foram reproduzidas da coleção do pesquisador
Allen Morrison, de New York, que as obteve como cópia da coleção particular de Gilberto Polenghi, em visita a Piraju. |