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Foto: Carlos Pimentel Mendes, em
22/1/1983
Estacionado
na confluência da Avenida Luiz Xavier com a Rua 15 de Novembro (Rua das Flores), este bonde - que antes circulou pelas ruas de
Santos/SP - é uma das atrações turísticas de Curitiba, a capital do estado do Paraná. No final do século XX, era usado para a
realização de atividades artísticas com crianças, como trabalhos de pintura e desenho:

Foto: cartão postal
Mercator número 32
Lá vinha o bonde
No sobe e desce ladeira
E o motorneiro
Parava a orquestra um minuto
Para me contar
Casos da campanha da Itália
E de um tiro que ele não levou (...)
(Conversando no Bar, de Mílton Nascimento/Fernando
Brant)

Foto: cartão postal
Paraná-Cart número 119, de Curitiba
Nos primeiros anos do
século XXI, esse bonde já se apresenta bastante descaracterizado e com outra pintura:

Foto: divulgação,
publicada no semanário Jornal da Orla, de Santos/SP, em 22-23/12/2007
Bonde de tração animal em
Curitiba
Citam os especialistas
Emídio Gardé (de Portugal) e Allen Morrison (dos EUA): A primeira linha de transporte coletivo de Curitiba - os bondes
puxados a cavalos, que ligavam o bairro do Batel ao Fontana (imediações do Passeio Público) foi inaugurada em 8/11/1887.
Teve características internacionais: o estadunidense Boaventura Clapp
fundou a Ferro Carril Curitibano, que inaugurou o primeiro trecho e em 1895 passou o controle ao italiano Santiago Colle, e
este, em 1905, vendeu a companhia ao francês Eduardo de la Fontaine Laveleye. A companhia anglo-francesa South Brazilian
Railways comprou o sistema em 7/5/1910. Em 1911, a firma suíça Brown Boveri iniciou a construção de uma linha de bondes
elétricos, com 29 veículos encomendados a Les Ateliers Métallurgiques de Nivelles, na Bélgica, que começaram a ser testados em
8/1912, sendo a linha inaugurada em 7/1/1913.
Em 1912 assumiu a prefeitura municipal, pela segunda vez,
Cândido de Abreu, que, com poderes especiais autorizados pela Câmara Municipal, implementou uma série de reformas modernizadoras
inspiradas pelos movimentos urbanísticos da época na Europa: foi assim implantado o bonde elétrico e construído o Palácio da
Liberdade, sede do Executivo Municipal (hoje Museu Paranaense), e o Passeio Público recebeu obras de melhoramento. Nesse mesmo
ano surgem em Curitiba os primeiros automóveis.
Bonde Birney na Rua XV em Curitiba, em 2/12/1936
O sistema passou para a South Brazilian Railways em 1924 e
para a Companhia Força e Luz do Paraná (uma subsidiária da Electric Bond & Share) em 1928. Esta empresa importou em 1931
diversos bondes Birney de segunda mão (usados em Boston/EUA) e complementou a frota com veículos desse tipo que trafegavam antes
em Porto Alegre em 1937.
Em 1952 foi retirada de circulação a última linha de bondes (Portão-Tiradentes).
A partir desta data, toda a prioridade em termos de transportes públicos foi centrada nos ônibus. Desapareceu, assim, uma das últimas características da tecnologia de
gestão urbana inglesa, dando-se inicio à influência norte-americana.
Os bondes belgas aparentemente foram destruídos, mas um bonde
Birney sobreviveu em um abrigo na Rua Barão do Rio Branco, sendo restaurado para fins turísticos. Mas, o bonde que os
curitibanos mais conhecem é um modelo fechado que trafegou em Santos e agora permanece estacionado para fins turísticos na Rua
das Flores, no centro da cidade.
A viagem pelos trilhos do Brasil
continua... |