ROTA DE OURO E PRATA Navios: o Umberto I
 1878-1917
A Societá
Rocco Piaggio & Figli - fundada em Gênova (Itália),
em 1870, pelo armador Rocco Piaggio - havia sido constituída para
explorar uma linha de passageiros entre a Itália e a América
do Sul, na época pioneira da emigração italiana para
o Brasil e o Prata.
O início modesto era condicionado
pelos poucos recursos financeiros disponíveis e só permitia
a entrada em serviço de um navio de linha. Era este o Ester,
construído no Estaleiro de Briasco, em Sestri Ponente, no mesmo
ano da fundação da companhia.
Era um clipper de madeira
de apenas 807 t.a.b., que inaugurou o serviço em outubro, saindo
de Gênova para Nápoles, Rio de Janeiro, Montevidéu,
Buenos Aires, Rosário e Assunção, fazendo a viagem
com apenas seis nós por hora de velocidade e levando dois meses
para realizar só a ida. Em 1880, rebatizado Pampa, o navio
pioneiro foi destruído por um incêndio no porto de Santos.
No entretempo, a Rocco Piaggio havia
comprado outros navios de segunda mão e colocado os mesmos na linha
sul-americana. Eram estes o Columbia, o Ester, o Maria
e o L'Italia.
Novo navio - Em 1878, fora
encomendado, aos estaleiros MacMillan, na Escócia, um navio que
deveria permitir à companhia enfrentar a concorrência na rentável
linha de emigrantes. No mesmo ano, no mês de agosto, foi lançado
ao mar, batizado com o nome de Umberto I (numa homenagem ao rei
italiano de então) e, no mês de dezembro iniciou a sua viagem
inaugural, entre Gênova e Buenos Aires, com o casco branco e sob
o comando do capitão Merlani.
Com uma circular - datada de 1º
de julho de 1872 e assinada pelo Sr. Bartolomé Bignone, italiano
emigrado e proprietário de terras na Argentina - fazia-se um convite
publicitário destinado àqueles que tinham a intenção
de partir para a América do Sul.
Esta circular era distribuída
nas regiões italianas através do agente do Sr. Bignone, um
tal Pellegrino Buscaglia, de Gênova, e dava uma idéia do pensamento
existente na época em Buenos Aires em relação à
imigração.
Transcrevemos aqui alguns pontos desta circular:
| O abaixo assinado,
Bartolomé Bignone, encorajado pela absoluta falta de braços
que se faz sentir na República Argentina, como tabmém por
um decreto-lei do governo argentino que protege o imigrante, e na consideração
que uma nova era de paz e progresso é iniciada para esta república,
estabeleceu um grande escritório, onde, ao chegarem, as famílias
de imigrantes possam rapidamente encontrar trabalho nas províncias
deste país. A falta de braços na agricultura é muito
grande, sobretudo nas regiões onde a ferrovia estendeu a sua presença
no interior do país.
O clima é
muito saudável e os terrenos, férteis. A colocação
(dos colonos) é gratuita, assim como o são o transporte ferroviário
ou de barco para aqueles que querem de Buenos Aires prosseguir com destino
a uma colônia no interior; tais pessoas devem, porém, imediatamente
avisar nossa agente no momento da atracação de seus navios
em Buenos Aires.
As vantagens
mencionadas são dadas preferencialmente a:
1) aqueles
que sejam agricultores não idosos e que possuam família;
2) aqueles
que tenham uma profissão, como carpinteiro, ferreiro, operário
de construção, operário de máquinas;
3) aqueles
que possuam um certificado de boa conduta e de profissão emitido
por autoridade local italiana;
4) aqueles
que não tenham cumprido alguma pena de prisão.
Serão
excluídos automaticamente os aleijados e os que não puderem
trabalhar por razões médicas. |
Antes da criação, na
Itália, da agência oficial Comissariado Geral para a Emigração,
era assim que vinham sendo recrutados aqueles que sonhavam com uma nova
vida nas Américas, homens que embarcavam em navios como o Umberto I.
Na NGI - O Umberto I
realizava a viagem Gênova-Rio de Janeiro-Santos-Montevidéu
e Buenos Aires em 22 dias e, até 1885, data de sua incorporação
à NGI, foram realizadas mais de 40 viagens
redondas (ida e volta) na Rota de Ouro e Prata.
Em julho de 1885, a companhia Rocco
Piaggio foi absorvida pela Navigazione Generale Italiana,
e o Umberto I, junto com outros quatro navios, passou para as cores
preta e branca do novo armador, continuando porém a servir a linha
para a América do Sul.
Em outubro de 1887, o Umberto
I encalhou na costa tirrênica, quando em viagem de Nápoles
a Gênova. Foi safado da incômoda situação alguns
dias depois por rebocadores e conduzido em seguida até La Spezia,
onde sofreu reparos aos danos.
No verão de 1896, sob o comando
do capitão Chiodo, o Umberto I realizou o que na época
constituía uma verdadeira novidade no Mediterrâneo, ou seja,
uma viagem-cruzeiro de luxo que o levou a diversos portos da Espanha, do
Marrocos, da Tunísia e da Sicília.
Dois anos antes, ele havia sido retirado
da rota sul-americana e empregado na linha que ligava Gênova a Alexandria,
no Egito, linha esta que havia sido concedida à NGI em 1893, junto
com outras de importância média. Tais concessões faziam
parte da reforma iniciada em 1891 pelo governo italiano, reforma destinada
à melhoria das ligações marítimas entre o reino
e outros países.
O Umberto I permaneceu em
serviço nessa rota mediterrânea até o ano de 1910,
quando foi cedido pela NGI a outra empresa de navegação italiana,
a Societá Nazionale di Servizi Maritimi (SNSM). Cabe notar que,
além do Umberto I, nada menos do que outros 64 navios da
NGI passaram ao mesmo tempo à propriedade da SNSM.
 O Umberto I é visto aqui atracado no porto de Livorno (Itália) por volta de 1898
Cargueiro - A Societá
Nazionale di Servizi Maritimi logo em seguida revendeu o Umberto I
à empresa dos estaleiros Orlando, de Livorno, Itália, que
procedeu à sua transformação em navio cargueiro.
Quis o destino que nessa nova condição,
e com o mesmo nome, o Umberto I voltasse a freqüentar a velha
rota para a América do Sul, desta vez levando em seu bojo mercadorias,
ao invés de passageiros. A idade do navio, no momento de sua transformação
em cargueiro, já era respeitável, 32 anos de mar!
Durante a Primeira Guerra Mundial,
de 1914 em diante, o ex-transatlântico, ex-mercante de carga, foi
transformado em cruzador-auxiliar de escolta pela Marinha Italiana e é
nessa condição de uso que o Umberto I encontrou o
seu fim.
No dia 14 de agosto de 1917, às
18h30, quando se encontrava ao largo da ilha de Gallinara, escoltando um
comboio que se dirigia ao porto de Gênova, foi atacado e alvejado
com o canhão de bordo pelo submarino UC-35. O disparo posterior
de um torpedo fez com que o antigo navio desaparecesse imediatamente, com
a perda de 26 homens de sua tripulação.
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Umberto I:
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Outros
nomes: nenhum
Bandeira:
italiana
Armador:
Societá Rocco Piaggio & Figli
País
construtor: Grã-Bretanha
Estaleiro
construtor: MacMillan (porto: Dumbarton)
Ano da
viagem inaugural: 1878
Tonelagem
de arqueação (t.a.b.): 2.822
Comprimento:
109 m
Boca (largura):
12 m
Velocidade
média: 14 nós
Passageiros:
980
Classes:
1ª
- 80
2ª - 90
3ª - 810 |
Artigo publicado no jornal A
Tribuna de Santos em 20/2/1992
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