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Elias acertou:
Guarujá está aí
O
turismo descobriu Guarujá quando o velho Elias Fausto Pacheco Jordão
importou dos Estados Unidos um hotel, cassino, escola e 46 chalés
de madeira e plantou tudo à beira-mar.
Hoje ele mora
em grandes edifícios, em casas luxuosas. E desfila em biquíni
e automóveis de luxo pela praia. Setenta por cento das placas desses
"carrões" são de outras cidades, outros Estados e
até de outros países.
A vila nasce
- Com tanta coisa importada, o problema era transportar a gente que iria
morar nessas casas, jogar no cassino, hospedar-se no hotel. Para isso,
a Companhia Balneária da Ilha de Santo Amaro iniciou a construção
de uma estrada de ferro que ligaria a praia
a Itapema, de onde se podia ir a Santos
por duas barcas, a Cidade de São Paulo
e a Cidade de Santos.
Um ano depois,
estava tudo pronto: uma usina a vapor fornecia eletricidade à vila,
havia água, esgotos e guarnição de bombeiros. A "Vila
Balneária" foi inaugurada a 6 de setembro de 1893, no mesmo dia
em que o trenzinho fazia sua primeira viagem.
Agora, a "Vila
Balneária" tem 2.700 prédios modernos e elegantes, os ferry-boats
às vezes dão saudade das antigas barcas, e a ligação
com Itapema se faz sobre estrada pavimentada. Do trenzinho resta apenas
a Maria Fumaça que o puxava e descansa
na vitrina-museu de uma das principais ruas da ilha.
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Todo cuidado
é pouco - Os que governam Guarujá sabem que o presente
e futuro da ilha estão no turismo, a principal fonte de receita
do município. Por isso, procuram apresentar bem a cidade, com as
ruas centrais asfaltadas, os jardins da praia das Pitangueiras sempre bem
cuidados e ornamentados por uma fonte luminosa e quiosques. Também
a iluminação pública no centro urbano é boa.
Um órgão
cuida unicamente do turismo, o Conselho Municipal, que já foi presidido
por da. Lúcia Figueira de Melo Falkenberg (uma animadora da região
e presidente do Instituto Histórico e Geográfico Guarujá-Bertioga),
e agora está sob a orientação do sr. José Estefno.
Sob ambos os presidentes, o Conselho Municipal de Turismo procurou dar
ênfase à história-cultura-turismo.
O governo do
Estado também tem colaborado e quinta-feira (N.E.:
dia 6/7/1967) o sr. Abreu Sodré vai
inaugurar a iluminação da praia das Pitangueiras para banhos
noturnos, realizada em convênio com a Prefeitura. Também está
nos planos da Secretaria do Turismo do Estado a construção
de um local para "camping", que será instalado no Parque
Municipal do Perequê. Serão 63 alqueires, nos quais há
250 metros de praia, matas virgens, cachoeiras, lagos, exclusivamente para
quem gosta de vida ao ar livre.
Um nome,
muita dúvida - A ilha onde se localiza Guarujá ainda
é chamada de Santo Amaro. Guarujá é o nome apenas
do município. Não se sabe ao certo desde quando é
usada a designação, que vem do tupi-guarani e que também
dá motivo a dúvidas. Uns defendem a tese de que deriva de
"guaru" (sapo) e de "ya" (onde se cria), do que resultaria
"guaruya", ou seja, viveiro de sapos. Outros afirmam que a origem
está em "gu-ar" (ladear) e "yá" (de um e outro
lado). Para justificar seu argumento, os últimos apontam a geografia
da ilha: uma abertura no morro de Itaipu une as praias de Pitangueiras
e Guarujá, é aquela fresta, hoje alargada, onde se ergue
o edifício "Sobre as Ondas".
História
sem começo - A história de Guarujá não
tem começo e só é contada a partir da doação
que d. João III fez a Pero Lopes de Souza, irmão de Martim
Afonso. Chamava-se então Guaibê, nome que os índios
lhe deram por causa dos cipós que lá havia. O genovês
José Adorno ergueu uma capela dedicada a
Santo Amaro, que acabou emprestando seu nome a toda a ilha.
Com a morte
de Martim Afonso de Souza, seus herdeiros e os de Pero Lopes de Souza entraram
em disputas que só terminaram em 1773, quando o marquês de
Pombal anexou as capitanias hereditárias aos bens do governo português.
Mas a ilha esteve sempre no abandono até o meio do século
passado (N.E.: século XIX):
as montanhas, se não impediam, dificultavam a instalação
de colonizadores. Na faixa litorânea, porém, missionários
e militares se estabeleciam e deixavam ruínas que contam um pouco
de sua história: lá estão o forte
de São Felipe e a capela de Santo Antonio,
entre outros.
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A paz em
23 - O Distrito de Paz de Guarujá foi criado a 1º de março
de 1923, abrangendo toda a ilha de Santo Amaro. A Prefeitura Sanitária
foi instituída em 1926 e abolida após a revolução
de 1930, quando o interventor federal em São Paulo, cel. João
Alberto Lins de Barros, baixou o decreto nº. 4.844, que incorporava
Guarujá a Santos. A situação somente durou 3 anos
e meio: em 1934 o governador Armando Salles de Oliveira criou a Estância
Balneária de Guarujá.
A Lei Orgânica
dos Municípios, em 1947, transformou a estância em Prefeitura
Municipal e a primeira administração autônoma foi eleita
para o quadriênio 1948-1951. Desde então, Guarujá teve
como prefeitos os srs. Abílio Santos Branco, major João Torres
Leite Soares (1952-1955), Domingos de Souza (1956-1959), Jaime Daige (1960-1964)
e novamente Domingos de Souza, cujo mandato expira este ano.
Uma união
firme - Se Guarujá já foi terra santista, os laços
entre os dois Municípos nem por isso se quebraram. Grande parte
do operariado santista, principalmente os que trabalham no porto, mora
em Guarujá. Em contrapartida, o abastecimento, os professores e
muitos dos funcionários públicos da ilha vêm de Santos.
A proximidade dos dois Municípios às vezes até faz
esquecer que eles não são apenas um. O processo de desenvolvimento
de toda a região contribui para dar essa impressão. |