Tropeiros
e tropas Imagem de
Maria Rosa Rodrigues, publicada no livro
As tropas,
os tropeiros e os ranchos de pouso no folclore cubatense
Com
o desenvolvimento da agricultura em meados do século XVIII, foram
registrados aspectos folclóricos dos tropeiros que transportavam
açúcar do Planalto para o Litoral e vice-versa, das tropas,
e dos ranchos que serviam aos tropeiros.
Historiadores
que na época estiveram por aqui descreveram como eram as tropas,
os tropeiros e os ranchos de pouso.
A figura
do tropeiro: o aspecto rústico, a inteligência e a bonimia
davam à fisionomia do tropeiro uma expressão peculiar, diferente
da dos homens que normalmente habitavam por aqui. Atrás da cinta,
usavam uma faca bastante pontuda, que era utilizada para cortar mato, consertar
arreios, matar e preparar animais. Cortava alimentos e não raro
servia como instrumento de defesa contra assaltantes, ou mesmo para praticar
assaltos.
Os tropeiros
ainda se caracterizavam pela fisionomia, sua cor (negro), por suas vestimentas,
pela maneira de falar, pelos costumes. Por tudo isso, tornaram-se alvo
de historiadores que os diferiam dos tropeiros mineiros, tornando-os figuras
populares na região. Divertiam-se muito, eram extremamente alegres.
"Quando muitos
deles se reúnem nos ranchos, os camaradas se congregam todos para
dançar e cantar a noite inteira o batuque. Gritam a valer e com
as mãos batem cadencialmente nos bancos em que estão sentados.
Assim se divertiam (N.A.:
citado Hércules Florence).
Toda essa alegria
fez com que os tropeiros cativassem o povo da região, e eles passam
a figurar no folclore de Cubatão como marco de sua etnia. Simplicidade
e pureza retratavam esse grupo, que fora denominado Tropeiros.
As tropas:
as mulas serviam ao transporte de mercadorias, especialmente para o transporte
de açúcar entre o Planalto e o Litoral.
"Um dos animais
é amestrado para conduzir os demais. Esse - que é geralmente
escolhido pela sua prática e conhecimento dos caminhos, além
de outras qualidades - leva em geral um penacho na cabeça. Fantasiosamente
ornamentado de conchas marinhas, fitas e penas de pavão. Leva ainda
um cincerro pendurado ao pescoço, e caminha sempre frente aos outros.
O tropeiro chefe vai sempre muito bem montado e leva um laço preso
à cinta, pronto para ser arremessado sobre qualquer animal que desgarre"
(N.A.:
citado Kidder).
"O sossego
e a compreensão destes animais durante o arreamento são comparáveis
unicamente à perícia dos negros carregadores: repartiam a
carga igualmente nos dois lados da mula. A carga era fixada sobre uma cangalha
de palha e coberta de couro cru com dois cabeços para cima e nos
quais se fixava as cargas, sendo mais difícil evitar que a cangalha
pise o animal pelo atrito. As mulas são amarradas umas às
outras pela cauda e, como elas assim caminham em linha, são necessários
apenas poucos tropeiros, a cuja voz elas seguem e obedecem" (N.A.:
citado Bayer).
Esse era um
transporte eficiente...
"Um candeiro
(tropeiro chefe), que por muitos anos se tinha servido exclusivamente de
serviço dos tropeiros, declarou que raramente, ou talvez nunca,
alguma mercadoria não tenha chegado ao seu destino". (N.A.:
citado Kidder).
Os Ranchos
de Pouso: em suas idas e vindas, os tropeiros paravam para descansar
e de novo prosseguir viagem. Paravam nos ranchos de pouso, se reuniam,
dançavam, cantando e dançando o batuque, comiam peixes secos
(tainhas secas ou curtidas ao sol, um costume herdado dos íncolas)
e caranguejada (prato feito de caranguejo ferventado em água e sal).
Com a água da caranguejada, faziam pirão adicionando farinha
de mandioca para engrossar como um mingau e levavam em potes para comerem
durante suas viagens.
Esses ranchos
de pouso eram pequenas construções muito simples e de material
não muito durável. De acordo com o gosto dos tropeiros, os
ranchos deveriam ser assim construídos:
"Cada rancho
deve ter 60 (sessenta) palmos de comprido e 30 (trinta) de largo, dividindo
em duas metades, uma fechada até acima, com estibas na guarda interior
das paredes, para nelas guardarem as cargas, e outra com a parede do ou
tão até acima, e nas frentes meia parede com duas porteiras
seguidas no meio para nesse lanço descarregarem as tropas, e fazerem
as suas cozinhas; e que para total duração dos ranchos devem
ser feitas de taipa de pilão e cobertas de telhas, conforme a planta".
(N.A.:
citada Maria Tereza Petroni).
Os ranchos
foram muito importantes para os tropeiros e para as tropas que abriam caminhos
na Serra do Paranapiacaba (hoje Serra do Mar), como também na fixação
de costumes e comportamentos afros a nosso espaço geográfico. |