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HISTÓRIAS E LENDAS DE BERTIOGA - FORTE S. JOÃO - BIBLIOTECA NM
Primeira fortaleza da colonização afonsina (3)

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Com o primitivo nome de Sant'Iago e depois rebatizado como Fortaleza de São João da Barra de Bertioga, tendo à frente (do outro lado do canal, já na ilha de Santo Amaro) o Forte de São Felipe, conserva-se até hoje em destaque no município essa edificação do século XVI.

 

Um livrete de 62 páginas, produzido em 1967 pela Comissão Organizadora do Museu João Ramalho, com apoio do Instituto Histórico e Geográfico Guarujá-Bertioga, descreve (em português e em inglês, traduzido por Maria Ângela Lobo de Freitas Levy) esse museu, instalado na fortaleza. A obra foi composta e impressa nas oficinas de Artes Gráficas Bisordi S.A., na capital paulista. O exemplar pertence ao acervo do professor e pesquisador de História, Francisco Carballa, de Santos (transcrição integral - páginas 7 a 10):
 

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Guia do Museu João Ramalho

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Forte São João da Bertioga – Entrada Principal

Foto publicada na página 16 do livrete

Forte de São João da Bertioga

(Antigo Forte de São Tiago)

BERTIOGA – 1531 – Bertioga tem lugar marcante na história do Brasil, desde a primeira passagem de Martim Afonso de Souza, que ali aportou em 1531, antes de se fixar em S. Vicente no ano de 1532, iniciando o surto de civilização, que, ultrapassando o planalto, tornou possível a formação do país.

JOÃO RAMALHO – 1532 – Já existindo um início de colonização, Martim Afonso de Souza envia João Ramalho com alguns homens armados a Bertioga, para verificarem a possibilidade do estabelecimento de uma fortificação, como principal defesa às invasões dos Tamoios, que, vindos de Iperoig e Maembique, atuais Ubatuba e S. Sebastião, atingiam pelo canal a novel vila de S. Vicente.

IRMÃOS BRAGA – 1532 – Com João Ramalho, entre outros portugueses, estava Diogo de Braga, personagem proeminente na formação e defesa da Bertioga, juntamente com sua mulher indígena e cinco filhos, e que são os primeiros colonos citados nominalmente por diversos historiadores, acordes em reconhecer seus esforços na construção da primitiva paliçada, no desenvolvimento de uma fazenda, com a principal cultura da cana-de-açúcar e na defesa do núcleo nascente aos assaltos dos ferozes silvícolas.

FORTE DE SÃO TIAGO – 1547 – Após terrível carnificina, a que escaparam apenas 8 cristãos, ficou positivada a necessidade da construção de um forte que pudesse oferecer maior resistência aos ataques inimigos, e, assim, foram os Irmãos Braga que, unidos aos sobreviventes e a novos colonos, levantaram as fundações do Forte de São Tiago, no mesmo local da primitiva paliçada.

FORTE DE SÃO FELIPE – 1550 – Por ordem real, cumprida por Braz Cubas, foi construída do outro lado do canal da Bertioga, na Ilha de Santo Amaro, uma casa forte – que tomou o nome de São Felipe.

HANS STADEN – 1550 – Essa primitiva fortaleza teve como condestável o artilheiro alemão Hans Staden, contratado pelo governador-geral Tomé de Sousa. Os dois fortes, São Tiago e São Luís, com seus fogos cruzados, em muito auxiliaram a defesa da incipiente colônia, impedindo as incursões pelo canal da Bertioga.

RECONSTRUÇÕES – 1557/1560 – No ano de 1557 foi a Fortaleza de São Tiago reconstruída, reforçada e ampliada, trabalhos de que se incumbiu o fidalgo português Antônio Rodrigues de Almeida, almoxarife da Capitania, e, nesse mesmo ano, determinou o capitão-mor Jorge Ferreira, governador da Capitania, fosse reconstruído o Forte de São Felipe, ordem que somente foi cumprida no ano de 1560.

ARMISTÍCIO DE IPEROIG – 1563/1564 – Partindo de Santos e com escala na Bertioga, os abnegados padres Nóbrega e Anchieta, em expedição custeada e acompanhada por um dos irmãos Adorno, seguiram para Iperoig, para tentar a pacificação dos tamoios, tendo lá ficado como refém o padre José de Anchieta, que conseguiu, pela sua fé e força moral, a paz almejada.

FUNDAÇÃO DO RIO DE JANEIRO – ESTÁCIO DE SÁ, ANCHIETA, NÓBREGA, ADORNOS – 1565 – Em 1565, após missa rezada pelo padre Manuel da Nóbrega, a chamado e em auxílio de Estácio de Sá, partiram da Bertioga o apóstolo José de Anchieta e os irmãos Adornos, que forneceram diversas naus e embarcações a remo e suas respectivas tripulações cristãs e indígenas, possibilitando, em união com as forças vindas de São Vicente e da Bahia, a primeira retomada do Rio de Janeiro.

SEGUNDA EXPEDIÇÃO – 1567 – Em 1567, novamente partem eles da Bertioga, muito melhor aparelhados em naus, embarcações e homens, e apoiam decisivamente Mem de Sá e Estácio de Sá na luta pela posse definitiva do Rio de Janeiro, tendo sido preponderantes os esforços desses pioneiros e particularmente do padre José de Anchieta, na expulsão dos franceses e seus aliados.

ARTILHARIA – 1760/1761 – Foi o Forte de São Tiago provido de novo armamento, representado justamente, entre outras peças, pelos 3 históricos canhões, remanescentes da época.

FORTE DE SÃO LUÍS – 1765 – Em 1765 foi o Forte de São Felipe reconstruído e ao mesmo tempo mudado o seu nome para São Luís, em homenagem ao governador d. Luís Antônio de Sousa.

FORTE DE SÃO JOÃO DA BERTIOGA – 1765 – A mudança do nome do Forte de São Tiago para o de São João da Bertioga teve a influência da capela erigida a este santo, quando de reformas procedidas na casa da guarnição do Forte.

GUARNIÇÃO – 1772 – No ano de 1772, contava a Fortaleza de São João da Bertioga com uma guarnição completa, de onde eram tirados os destacamentos para São Sebastião e Ubatuba.

PLANTA DO FORTE – 1817 – A mando do conde da Palma, governador da Província, esteve na Bertioga o oficial Rufino José Felizardo e Couto, que nessa ocasião levantou a planta que vemos a fls. 17, e em seu relatório, depois de estudar as províncias para reforma e ampliação do quartel do Forte, faz referência ao armamento existente dizendo textualmente: "Acham-se neste Forte 9 bocas-de-fogo, todas de ferro fundido, desta só achei 3 que ainda poderão servir, a saber, duas de calibre 9 e uma de calibre 6, que é a melhor…"

RESTAURAÇÃO – 1945 – Em 1945 foi a Fortaleza de São João da Bertioga restaurada pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, consolidando-se suas bases ameaçadas e seus baluartes.

MUSEU JOÃO RAMALHO – 1962 – Em virtude de entendimentos do Instituto Histórico e Geográfico Guarujá-Bertioga com a benemérita Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, superiormente dirigido pelo dr. Rodrigo Mello Franco de Andrade, foi procedida a completa reforma da Casa do Forte, possibilitando em vista do acordo firmado a instalação do Museu João Ramalho, que perpetuará as glórias do nosso passado.

Celso Corrêa Dias
Diretor secretário


Planta do Forte São João da Bertioga em 1817 (vide nº 24 do catálogo). Nota: na restauração procedida em 1961 pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (D.P.H.A.N.) coadjuvada pelo Instituto Histórico e Geográfico Guarujá-Bertioga, não foi possível recompor na íntegra as ruínas do forte, de forma a refazer esta planta de 1817, o que se espera realizar em uma segunda etapa, quando da obtenção de novos recursos. (N.E.: na verdade, nº 23)

Foto publicada na página 17 do livrete