HISTÓRIA DO COMPUTADOR
- 20 - O futuro que vem aí
Porto Claro é um exemplo
brasileiro
Declarado
independente em 1900, o Reino de Porto Claro é uma micronação
que se assume como simulação de país, em teoria situado
na Costa Norte do Brasil, na
divisa entre Amapá e Guina Francesa (o Instituto Real de Cartografia
de Porto Claro apresenta na Internet mapas detalhados da região,
de divisão administrativa, históricos etc.). A micronação
tem endereço Web desenvolvido pelo Departamento de Divulgação
e Marketing do Governo Real de Porto Claro, enquanto que a Embaixada Portoclarense
no Brasil fica na Rua Conde de Baependi, 23/803, bairro carioca de Laranjeiras.
Na Internet,
os cidadãos desse reino explicam que são “um grupo de pessoas
que se uniram para criar uma nova opção de nação.
Um país onde não houvesse tanta desigualdade social, tanto
desemprego e tanta miséria, e o governo pudesse ser democrático
e exercido pelo povo, com o povo e para o povo”. Surgiu “como uma brincadeira
de criança, em 92, no Rio de Janeiro. Um grupo de amigos desenhou
uma cidade num papel e escolheram quem seria o rei, a rainha, os príncipes,
o primeiro-ministro, o prefeito e outros. Mas, quando vieram as férias,
os amigos se separaram e Porto Claro acabou esquecida.
“Então,
a coisa toda ficou na mão de Pedro Aguiar, que tinha sido o criador
de Porto Claro em 92, e ele passou a criar novas personagens, todas imaginárias.
Quando ele viu, em 96, que não estava só em sua brincadeira
de criar nações e que havia muitos outros países inventados
(chamados “micronações”), principalmente na Internet, Pedro
passou a dialogar com outros países. Só a partir do final
de 96 é que muitas pessoas resolveram participar de novo, e muitas
através da Internet. São os chamados cidadãos on-line,
que participam via rede mas possuem os mesmos direitos daqueles que se
conhecem de carne e osso. E hoje em dia somos uma nação próspera,
que busca seus caminhos para uma democracia plena, e onde muita imaginação
e espírito de aventura são necessários para participar”.
Endereços
– Os micro-países estão espalhados por todo o mundo: o Principado
de Hutt River fica na Austrália Ocidental, com 75 km² de área
controlada pelo Príncipe Leonard
e 13 mil cidadãos espalhados por todos os continentes, e tem um
consulado geral na Internet. O Império de Aeldaria, criado no estado
norte-americano do Texas em fevereiro de 1996 por Dale Morris (imperador
Dale 1º), também colocou sua constituição na
Web. Já a micronação Mingovia (cujo nome vem de MINimum
GOVernment) é puramente virtual. O Reino da Ilha de Navassa fica
entre Jamaica e Haiti (18º25’N, 75º01’O), nessa ilha desabitada
norte-americana (o farol ali existente para orientar a navegação
foi desativado), com mapas e fotos na Web. Oceania será primeiro
uma cidade no meio do oceano (região do Caribe), criada pelo Projeto
Atlantis, iniciado em 1994. Já o Reino de Sedang foi fundado em
1888 no Vietnã.
A monarquia
Municipal L’Anse-St.Jean fica na província canadense de Quebec,
enquanto o Reino de Araucaria e Patagonia se considera um governo no exílio.
O Reino de Borovnia foi criado na Nova Zelândia nos anos 50, e os
Reinos de Elgaland e Vargaland estão situados na Suécia.
A Soberana Ordem Militar de São João de Jerusalém,
de Rodes e de Malta, expulsa de Malta por Napoleão em 1798, hoje
tem uma sede do tamanho de um campo de futebol em Roma. No estado norte-americano
da Pennsylvania, estão os países Rob Hart, que em janeiro
fundiram suas micronações nas Províncias Unidas de
Utopia (UPOU). Scottland não é um país em si, mas
funciona como um fã-clube do ator de comédias Scott Thompson.
O Principado
de Sealand existe, distando seis milhas da costa inglesa de Felixtowe,
onde durante a Segunda Guerra Mundial foi instalada uma plataforma de aço
no mar, conhecida como Maunsell Fort. Abandonada, foi ocupada em 1966 por
dois ingleses, Roy Bates e Ronan O’Rahilly, que atuavam com rádios
piratas (radio Caroline e Radio Essex). Declararam a independência
do principado em 2 de setembro de 1967 e desde 1968 imprimem selos, cunham
moedas, medalhas e outras lembranças, para venda aos colecionadores.
Há páginas
também para a californiana Stoner Homeland, a sueca República
de Jämtland e outras, mas muitas outras micronações
possuem apenas endereços de correio eletrônico, ou não
divulgaram ainda sua presença na Internet.
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