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HISTÓRIAS E LENDAS DE SANTOS - HOTELARIA
Antigos hotéis e restaurantes santistas (3)

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Na sua edição especial de 26 de janeiro de 1981, dedicada ao aniversário da cidade - exemplar no acervo do historiador Waldir Rueda -, o antigo jornal Cidade de Santos publicou esta matéria:
 


No Morro de Santa Terezinha, que agora foi loteado, outro cassino famoso
Foto publicada com o texto

Cassinos, a opção perdida

Dojival Vieira dos Santos

A liberação do jogo no País, com a abertura de, pelo menos, três grandes cassinos na Baixada será a saída para impedir que a região se esvazie com o agravamento da crise econômica que fez com que Santos - até há alguns [anos] atrás uma das cidades mais importantes do Estado em termos de arrecadação -, passasse a ser um Município endividado, sem muitas opções para buscar recursos.

A opinião é de políticos e empresários, principalmente do setor hoteleiro santista, para quem os cassinos são a esperança de redenção da economia da Baixada, pela possibilidade de abertura de um novo mercado de trabalho e pelo que os Municípios vão arrecadar de impostos e outros tributos.

A liberação do jogo - hoje proibido pela legislação penal, porém praticado de forma clandestina - será importante não só para uma região, no caso específico a Baixada Santista, mas será, inclusive, uma importante fonte de divisas para o País, que hoje, além de não receber turistas de fora, atraídos pelos grandes cassinos, ainda os perde para países como o Paraguai e o Uruguai, onde o jogo é há muitos anos regulamentado.

Há outro aspecto que é lembrado por políticos e empresários favoráveis à abertura de cassinos, e que, segundo eles, demonstra o erro que o Governo Brasileiro está cometendo, não legalizando o jogo: principalmente nos fins de semana e feriados longos, muitos brasileiros de condição econômica privilegiada deixam o País, indo jogar nos cassinos do Paraguai e do Uruguai.

Ayres: tempo de glória - A reivindicação para regulamentação do jogo no Brasil, entretanto, tem movimentado líderes empresariais e boa parte dos políticos, havendo vários projetos na Câmara Federal, em que é pedida a revogação do artigo do código penal que proíbe o jogo.

Pelo lado dos empresários do setor hoteleiro, o pedido tem sido objeto de moções encaminhadas à Embratur - Empresa Brasileira de Turismo - e ao próprio presidente da República, não tendo o Governo manifestado até agora qualquer posição a esse respeito: "Nós, de Santos, fizemos uma reivindicação em conjunto com a Federação da classe, que vem pleiteando a regulamentação do jogo há muito tempo", conta Ayres Rodrigues, presidente do Sindicato dos Hoteleiros de Santos.

Segundo Ayres, a esperança para a crise econômica, que se reflete de uma forma bem acentuada na Baixada Santista, está nos cassinos: "Na época do jogo havia dezenas de restaurantes trabalhando 24 horas por dia; os cassinos mais avançados do mundo estavam aqui; e a nossa hotelaria era considerada uma das maiores do País".

Naquela época, acrescenta o dirigente dos hoteleiros santistas, "havia emprego, táxis rodando, grandes boates e grande movimento. Era isso que nós queríamos ver novamente", afirma, acrescentando que desde o fechamento do jogo a cidade começou a decrescer economicamente, com os grandes hotéis e restaurantes noturnos fechando as suas portas.


O Miramar, o "Palácio Dourado do Boqueirão"
Foto Acervo José Carlos Silvares/Santos Ontem, também publicada com o texto

A volta da vida noturna - Para Ayres Rodrigues, a proibição torna-se ainda mais prejudicial para uma cidade como Santos, que tem no turismo uma das principais bases de sustentação de sua economia. Nos últimos anos, entretanto, a crise econômica que o País passou a enfrentar, e a falta de alternativas sobre como enfrentá-la, fez com que a cidade fosse se esvaziando, e "a única construção que tivemos, no nosso setor, foi o Holliday Inn" (N.E.: estabelecimento hoteleiro construído em 1976 no lugar do antigo Parque Balneário Hotel, e que anos depois retomaria o nome tradicional) - completa.

"Santos foi uma cidade que realmente parou no turismo, e eu realmente não consigo entender o porquê do nosso governo ainda não ter nos dado essa abertura, mesmo porque ele já controla boa parte do jogo no País".

Segundo Ayres, caso o governo resolva atender a reivindicação da classe, a Baixada tem condições de ter, pelo menos, três cassinos de grande porte - um em Santos, outro em Guarujá e o terceiro em São Vicente - uma vez que a infra-estrutura necessária não é problema. "Nós ainda temos o Cassino do Monte Serrat, o Atlântico. O próprio Holliday tem o seu salão de convenções que poderia ser tranqüilamente adaptado para cassino".

Justo: mais trabalho - Para o deputado estadual Emílio Justo, do PMDB, autor do projeto de lei que transformou Santos em Estância Balneária, e um dos mais antigos defensores da liberação do jogo, a abertura de cassinos na cidade só traria benefícios para a região: "Vejo na reabertura dos cassinos uma situação que trará benefícios incalculáveis à nossa cidade, no setor econômico e social, principalmente com a abertura de um campo de trabalho para tantos que precisam de emprego".

Outro que não vê razões para a proibição do jogo no Brasil é o deputado Athiê Jorge Coury, do PDS, que, inclusive, apoiou um projeto da deputada Lígia Bessa (PDS-RJ), revogando o artigo do Código Penal que impede a regulamentação: "No mundo inteiro existe o jogo, principalmente nos lugares onde é explorada a indústria do turismo, e por isso não vejo razão para se impedir a construção de grandes cassinos", disse Athiê, lembrando o caso da cidade de Las Vegas, nos Estados Unidos, que tem no jogo e nos grandes shows um dos sustentáculos de sua economia.

O mesmo exemplo é lembrado pelo presidente da Câmara, Washington Mimi Di Giovanni, do PDS: "Os grandes centros mundiais têm cassinos. Se você vai na Itália tem cassino; se você vai no Paraguai tem cassino e lá é o próprio Governo quem administra. Então não vejo porque proibir, uma vez que esta seria mais uma opção em termos de turismo".

Campos e Koyu: sim - Os prefeitos Koyu Iha, de São Vicente, e Carlos Frederico Soares Campos, de Cubatão, também são favoráveis à liberação do jogo com a conseqüente construção de grandes cassinos na Baixada. O primeiro vê nessa medida "apenas a legalização de uma coisa que já existe", enquanto Campos ressalta o grande estímulo na indústria do Turismo na região.

"Já houve cassinos aqui e sempre funcionaram de forma a estimular o turismo na Baixada. Eu acho muito boa medida. Agora, é evidente, com os cuidados em termos de local e cidade. Mas, como medida econômica, eu acho muito boa, porque tem muita gente saindo para o Paraguai e Uruguai para jogar. Seria mais um atrativo para os turistas portenhos que vêm para cá. Nós precisamos de um turismo permanente, e infelizmente a Baixada não tem" - conclui.

Por sua vez, o prefeito Jaime Dayge, de Guarujá, apesar de ressaltar que sua posição não tem qualquer conotação moralista, é de opinião que o Governo deve liberar o jogo, mas é contra sua proliferação. Segundo Dayge, o Governo deveria criar "A Cidade do Jogo", a exemplo do que acontece nos Estados Unidos com Las Vegas, que se constituiria em mais um pólo de desenvolvimento.

História - A época de ouro dos cassinos na Baixada ocorreu entre os anos de 1936 e 1946, quando existiam nada menos que 4 cassinos só em Santos: o Miramar ("Palácio Dourado do Boqueirão"); o Monte Serrate, inaugurado em 1927; o Atlântico Hotel e o Parque Balneário, ponto preferido da elite santista.

No Centro funcionava o Coliseu Santista, no prédio onde funciona hoje o Cine Coliseu, apresentando grandes shows e onde se apresentavam os nomes mais importantes da noite, muitos deles consagrados em todo o País.

Em Guarujá existia o cassino do Grande Hotel, ponto de encontro da alta sociedade e que, segundo o historiador Francisco Martins dos Santos, hospedava "grandes figuras nacionais e internacionais no comércio, na indústria e na política".

Em São Vicente funcionava o cassino de São Vicente, ou "Cassino da Ilha Encantada", ou "Paraizo do Atlântico", que disputava com os de Santos a preferência dos turistas que vinham para a cidade nos mais diferentes pontos do Estado, do País e até turistas estrangeiros.

A época dos cassinos acabou em 1946, no Governo Dutra, quando a 30 de abril foi baixado Decreto Federal, proibindo o jogo em todo o País.


O antigo cassino do Parque Balneário, o preferido da elite santista
Foto publicada com o texto

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